Presidência da Repúbilca informou esta semana que o presidente Lula apresentou um quadro de vertigem – sintoma caracterizado pela sensação de que a própria cabeça está girando. O presidente está sendo acompanhado por sua equipe médica e permanece em repouso, conforme orientação clínica.
Embora o termo “labirintite” seja frequentemente utilizado pela população para descrever esse tipo de mal-estar, especialistas alertam que o uso é, na maioria das vezes, incorreto. De acordo com o médico otorrinolaringologista, diretor-presidente da Academia Brasileira de Otoneurologia (braço acadêmico da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial – ABORL-CCF), Dr. Márcio Salmito, vertigem é um sintoma, não um diagnóstico.
“Vertigem é o nome do sintoma que descreve a sensação de que a cabeça está se movendo, tipicamente girando. Muitas pessoas dizem que estão com labirintite, mas esse é apenas um dos possíveis diagnósticos, já que toda doença labiríntica pode se manifestar com vertigem. O correto é investigar a causa da vertigem, que pode estar relacionada tanto a doenças do labirinto quanto a condições neurológicas”, explica o médico.
Entre as possíveis origens da vertigem estão doenças do labirinto, como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) e a doença de Menière, mas o sintoma também pode ser causado por problemas neurológicos, como acidente vascular cerebral (AVC), tumores, esclerose múltipla e sangramentos cerebrais. Nestes casos, as regiões afetadas geralmente estão na parte posterior do cérebro, como o tronco encefálico e o cerebelo.

“Quando o quadro de vertigem surge de forma súbita, sem diagnóstico prévio, o paciente deve ser avaliado com urgência. O pronto-socorro é o local mais adequado para uma investigação inicial, principalmente para excluir causas neurológicas mais graves”, alerta o Dr. Márcio.
O especialista também chama atenção para o risco da automedicação e da banalização do sintoma. É comum que familiares, amigos ou vizinhos atribuam episódios de vertigem à “labirintite” e indiquem remédios sem prescrição. No entanto, essa prática pode atrasar diagnósticos importantes. Uma neurite vestibular, por exemplo, tem maior chance de se recuperar quando tratada nos primeiros cinco dias de sintomas.
Com relação ao tratamento, o médico esclarece que dependerá da causa identificada. No caso de distúrbios do labirinto, pode envolver medicamentos, reabilitação vestibular e mudanças no estilo de vida, como controle do estresse, alimentação adequada e restrição ao consumo de álcool e cafeína. Tudo depende de cada caso. Enquanto uma VPPB é tratada sem remédios, uma doença de Menière pode necessitar de diferentes medicamentos.
SOBRE A ABORL-CCF
Com mais de 70 anos de atuação entre Federação, Sociedade e Associação, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Departamento de Otorrinolaringologia da Associação Médica Brasileira (AMB), promove o desenvolvimento da especialidade.
A atuação ocore por meio de seus cursos, congressos, projetos de educação médica e intercâmbios científicos entre outras entidades nacionais e internacionais. Busca também a defesa da especialidade e luta por melhores formas para uma remuneração justa em prol dos mais de 8.500 otorrinolaringologistas em todo o País.
Fotos – Divulgação/IsStock




