PAULO BECKER: “UM NOVO CAOS LOGÍSTICO SE INSTALA NO PAÍS”

Combinação de safras recordes de grãos, colheitas concentradas e alta nos preços dos combustíveis provoca disparada dos preços do frete no Brasil. Embora seja um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o País ainda enfrenta grandes gargalos logísticos crônicos, com poucas ferrovias e hidrovias, estradas de má qualidade, baixa capacidade de armazenagem e congestionamentos nos portos.

Tudo indica que teremos um novo caos logístico nesta safra, a exemplo do que se deu há 2 anos, como indicam os dados da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento. O Boletim divulgado em 28 de fevereiro mostra que o avanço da colheita, aumento dos fretes neste início de ano é um movimento esperado, uma vez que é o período do início da colheita da soja.

Em 2025, o desafio se apresenta uma vez que há a perspectiva de uma produção recorde. Aliado a isso, foi registrada alta nos preços dos combustíveis, o que traz uma perspectiva de que os fretes sigam subindo para os primeiros meses do ano”, diz o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth.

Aliado a isso, foi registrada alta nos preços dos combustíveis, o que traz uma perspectiva de que os fretes sigam subindo para os primeiros meses do ano”, diz o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth.

Segundo o Boletim, em janeiro, os fretes dispararam em Mato Grosso, tendência que persistiu também no início de fevereiro, mês em que já são registrados valores ainda mais elevados de cotações, com possibilidade de recordes de preços em algumas rotas.

“Se durante a colheita de qualquer safra de soja os preços já sobem, neste momento a tendência é potencializada por diversos fatores. Primeiramente, trata-se da maior safra da série histórica estadual e Mato Grosso deverá colher mais de 46 milhões de toneladas, com excedente de 7 milhões de toneladas relativamente ao ano anterior”, diz o boletim da Conab.

Nesta safra, devido à grande intensidade de chuvas em janeiro, 90% do plantio de soja foi realizado em só 5 semanas, o que significa que muito produto está sendo colhido ao mesmo tempo. Vale destacar que o produtor tem que despejar a soja no caminhão rapidamente para liberar espaço e os corredores para o escoamento da 2ª safra (milho).

A fila de caminhões à espera de embarque nos portos aumenta os custos de “demurrage” para exportadores em US$ 25.000 a 35.000 por dia. “Demurrage” é a taxa cobrada quando um contêiner fica no porto por mais tempo do que o estabelecido no contrato.

A solução para este problema crônico da agricultura brasileira, que cria caos logístico em épocas de safras recordes e traz prejuízos aos produtores e ao país, é a expansão de linhas de crédito para construção de silos e armazéns com menos burocracia, além de investimentos nos corredores de escoamento das safras (estradas, ferrovias, hidrovias e portos).

Por: Paulo Becker – Jornalista, especializado em agronegócio e meio ambiente.

Foto: Autoridade Portuária de Santos

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