PSDB, UM PARTIDO EM DERROCADA: SIGLA JÁ TEVE 9.794 POLÍTICOS ELEITOS E HOJE SOMA SÓ 3.330

Poder360

Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB enfrenta em 2025 seu pior momento da história. A sigla, que nasceu defendendo uma modernização do Estado, foi palco de uma série de intrigas internas na última década e viu seu desempenho eleitoral recuar ao pior patamar desde a fundação, em 1988.

Nesta terça-feira(19), a sigla perdeu seu último governador: Eduardo Riedel, que comanda o Estado de Mato Grosso do Sul, foi para o Partido Progressistas – (PP). Os tucanos tiveram seus tempos de glória no fim do século 20. Governaram o Brasil por 2 mandatos, com Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Tiveram uma das maiores bancadas do Congresso Nacional e chegaram a comandar 18% das cidades brasileiras.

No auge, o partido teve 9.794 políticos ocupando algum cargo eletivo (somando presidente, deputados federais, estaduais e distritais, senadores, governadores, prefeitos e vereadores (eleitos em 1998 e 2000). Atualmete, em 2025, esse número recuou para apenas 3.330 (considerando as eleições de 2022 e 2024). Foi uma queda de 66%. O fiasco eleitoral do partido se intensificou a partir de 2016, no pós-impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Àquela época, o PSDB era comandado por Aécio Neves – o tucano que mais chegou perto da Presidência desde FHC. O mineiro entrou em desgraça depois de protagonizar uma disputa acirrada com Dilma em 2014. Viu-se envolto em escândalos de corrupção, teve sua imagem minada e deixou de ser o líder que os tucanos esperavam. Saiu da presidência do partido em 2017.

Foi presidente da Câmara em 2001 e 2002, governador de Minas Gerais de 2003 a 2010 e senador pelo Estado de 2011 a 2019. Voltou a ser deputado em 2019 e ocupa o cargo até hoje. Em 2014, teve 34,9 milhões de votos contra Dilma no 1º turno e 51,0 milhões na 2ª etapa do pleito. Perdeu na última rodada da votação, mas por uma margem muito pequena: 48,36% do tucano contra 51,64% da petista.

Foto: Poder360

A consequência da desorganização tucana ficou cristalina pouco tempo depois, na eleição de 2018. O partido (que havia ido ao 2ª turno em todos os pleitos presidenciais do século 21) ficou só com o 4º lugar na disputa naquele ano.

Mesmo com quase metade do tempo de TV e com amplo apoio de partidos de Centro, o candidato Geraldo Alckmin teve ínfimos 4,76% dos votos válidos (5.096.349) – menor votação da história do PSDB. Quem venceu naquele ano foi Jair Bolsonaro (candidato à época pelo PSL).

O militar reformado foi ao segundo turno contra Fernando Haddad (PT) e teve 60,38% dos votos válidos nessa nessa rodada final. Adotou um discurso antipolítica na campanha e se cacifou como o principal líder da direita, isolando ainda mais os tucanos que restaram.Com o avanço do bolsonarismo, os embates no PSDB se intensificaram. E o partido foi se descaracterizando, com filiados navegando entre os mais variados espectros políticos.

Em junho deste ano (2025), com risco de extinção, o PSDB aprovou uma fusão com o Podemos. O objetivo era manter sua estrutura e contornar nos próximos anos a cláusula de desempenho A empreitada foi abortada dias depois por falta de acordo entre as siglas. Para o ex-tucano histórico, Andrea Matarazzo, que foi ministro de FHC, o principal erro do partido foi ter se “distanciado das suas origens” e da sua essência.

“Era um partido que tinha projeto de país”, afirmou. Segundo Matarazzo, os tucanos não conseguiram se acostumar a ficar longe do poder. Ele diz ainda, acreditar que o PSDB não tem mais salvação e será sucedido pelo PSD, sigla que está filiado agora.

Foto: Divulgação/PP

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