Poder360
Na disputa entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo apoio de governadores nas eleições presidenciais, o petista sai na frente com mais gestores locais ao seu lado, mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conta com o apoio de Estados que concentram um número maior de eleitores.
Lula tem, até agora, o apoio de 12 governadores, que estão à frente de Estados com um total de 53 milhões de eleitores. Flávio conta, por enquanto, com o respaldo de 5 governadores que comandam 57,3 milhões de eleitores. Todos os 5 têm taxas de aprovação acima de 50% para suas administrações. No caso de Lula, 9 dos 12 governadores pontuam mais de 50% na aprovação de seus governos.
O mapeamento, feito pelo Poder360, mostra que o atual presidente parte na frente no número de governadores que devem apoiar a sua candidatura. Mas o campo bolsonarista avança em colégios eleitorais maiores. No 2º turno, porém, a tendência é que Flávio consolide mais apoios nos Estados, chegando a 13 governadores. Lula, candidato único da esquerda, manteria os mesmos 12.
Dois governadores não deram indicações de apoios no 2º turno: Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, e Gladson Cameli (PP), do Acre. O primeiro, ainda pleiteia a vaga de candidato a presidente. O 2º tem se dedicado a responder processos na Justiça e evita se posicionar nacionalmente. Entre os aliados de Lula estão governadores do PT, PSB e MDB em Estados como Bahia, Ceará, Maranhão, Pará e Pernambuco –redutos tradicionais da esquerda no Nordeste e no Norte.
O presidente também conta com apoio no Espírito Santo. Flávio Bolsonaro tem palanque confirmado em cinco Estados: Distrito Federal, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo –este último o maior colégio eleitoral do país, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal nome do campo conservador à frente de um governo estadual. Seu nome ainda é especulado para a disputa presidencial.
TENDÊNCIAS
Outros oito Estados têm governadores com tendência a apoiar Flávio, mas sem posição formalmente declarada: Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Roraima, Goiás, Paraná e Tocantins. Aliados de Flávio afirmam que as conversas para fechar palanques e apoios ainda estão em andamento.
O cenário de 2026 será impactado também pela saída de pelo menos 11 governadores que devem disputar o Senado. Entre eles estão nomes importantes dos dois campos: Helder Barbalho (MDB-PA) e Fátima Bezerra (PT-RN), pelo lado de Lula e Ibaneis Rocha (MDB-DF), Cláudio Castro (PL-RJ) e Mauro Mendes (União Brasil-MT), pelo lado de Flávio.
A situação do Rio de Janeiro é atípica: Castro não tem vice, o que pode resultar numa eleição indireta na Assembleia Legislativa caso se confirme a candidatura ao Senado. No Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos) desistiu provisoriamente de disputar o Senado depois do conflito com o vice, Laurez Moreira, a quem chegou a expulsar do Palácio Araguaia. A situação trava o alinhamento formal com Flávio já no 1º turno.
No Maranhão, Carlos Brandão (sem partido) abriu mão da candidatura ao Senado para não transferir o governo ao vice Felipe Camarão (PT), seu adversário político –o que mantém o Estado no campo de Lula, mas com a articulação travada para 2026.
Pernambuco apresenta uma configuração igualmente atípica: os dois principais nomes na disputa estadual estão alinhados ao presidente Lula. A governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB) são aliados do petista. Embora haja candidaturas no campo da direita, elas tendem a ter espaço político reduzido na campanha – já que a governadora e prefeito lideram de forma isolada as pesquisas de intenção de voto.
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