Um dos maiores símbolos do Carnaval do Recife, a escultura gigante do Galo da Madrugada ficou de pé na noite deste 7 de fevereiro de 2024, na Ponte Duarte Coelho. É a primeira vez que o Galo sobe tão cedo – em uma quarta-feira antes do Carnaval.
O prefeito do Recife, João Campos, conferiu tudo de perto, ao lado de secretários municipais e do artista plástico Leopoldo Nóbrega – responsável pela obra Galo Gigante da Paz. Orquestras, passistas, Tribo de Caboclinhos e até uma balsa sobre as águas do Capibaribe, embalada pelo maestro Forró, fizeram a festa e testemunharam o galináceo erguendo-se.
“A gente estava nesse mesmo local há um ano. Da outra vez foi na quinta-feira, não na quarta. A gente viu aquele momento da subida do Galo, e foi uma verdadeira emoção, porque não existia essa tradição de ver o galo subindo. Ele subia muitas vezes de madrugada e a gente viu que foi um momento tão forte que valeria a pena repetir.
“Neste ano, pela primeira vez, na quarta-feira, e a gente trazendo uma orquestra flutuante, agremiações passando aqui de forma volante, as pessoas reunidas. Prometemos que iríamos organizar e organizamos”, comentou João Campos.
“Quase 300 pessoas contribuíram com o Galo – a medida que o tempo vai passando, mais voluntários e participantes vão se engajando no processo. É um trabalho lindo de cocriação. É uma honra fazer parte disso e é uma honra entregar esse presente para a Prefeitura, para a cidade”, afirmou Leopoldo Nóbrega na ocasião.

GALO GIGANTE DA PAZ
A alegoria é assinada pelo artista plástico, designer e consultor pernambucano Leopoldo Nóbrega com produção executiva de Germana Xavier. Sustentabilidade, reverência aos povos originários e cocriação da alegoria também são pontos basilares do processo, que convida o brincante a fazer do Carnaval um momento de reflexão, quando a folia também pode ceder espaço para o combate a todos os tipos de violência e preconceito.
Pesando oito toneladas e com 28 metros de altura, a escultura ratifica seu compromisso com a preservação do meio ambiente e a inovação de procedimentos artísticos para a promoção da sustentabilidade, por meio da adoção do upcycling.
Este ano, mais de 90% do material que veste a estrutura é fruto de descarte de materiais e reaproveitamento de resíduos tecnológicos, como dois mil metros de lonas de materiais publicitários, além de 10 mil CDs e DVDs, frutos de doação.

O corpo encantado do galo, por sua vez, ganha um body branco em uma releitura de renascença cenográfica realizada manualmente em conduítes e inspirada na produção de Pesqueira. Na altura do coração do Gigante, uma réplica de sombrinha de frevo.
As asas do galináceo mais amado da folia trazem ‘tatuagens’ do símbolo pela paz. Sobre os ‘ombros’, a indumentária de sua majestade irá reverenciar os povos indígenas e seus raros mantos tupinambás, vestimentas feitas em Arte Plumária, cujo exemplar mais famoso foi subtraído e levado para a Dinamarca desde o século XVII e será devolvido ao Brasil este ano.
Na confecção serão empregadas 1000 ‘penas’ feitas das lonas plásticas de 1,10 m X 40 cm na técnica Arte Plumária Upcycle.
Fotos: Edson Holanda/Prefeitura do Recife




