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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Política e cotidiano de Pernambuco

BRASIL

BRASIL PAGARÁ CARO POR PRIORIZAR ABRIR BAR ANTES DE ESCOLA DIZ EDUCADORA

Por Luzimar Dias


    “O Brasil vai pagar um preço muito alto por escolher abrir bar antes de escola”, diz a presidente executiva do Todos pela Educação. “Dá para afirmar com certeza, a desigualdade e a evasão vão aumentar, a aprendizagem vai cair. E a consequência no médio e longo prazo para o País é brutal.”   Declaração é da maior liderança de educação do terceiro setor nos últimos anos, Priscilla Cruz, que enxerga um futuro triste para o país,  há quase seis meses com escolas fechadas e sem previsão de abertura, em breve. 


  Mestre em Administração Pública por Harvard, Priscilla gostaria de ver governadores e prefeitos obcecados por educação. “Queria que eles estivessem perdendo o sono porque as escolas estão fechadas.” Em vez disso, temendo um mau resultado nas eleições de novembro, muitos têm se guiado por pesquisas em que a maioria da população se diz contrária à retomada. “A decisão de deixar a abertura para o ano que vem é a pior que pode existir. O prefeito pensa: é muito complexo, tem muita opinião. E empurra o problema com a barriga.”

   Sobre o debate em torno da volta as aulas,  a educadora disse que: “ o debate é  complexo, tem vários componentes e,  todos têm uma carga de verdade muito grande. Pais e professores estão inseguros. A educação e a aprendizagem estão sendo brutalmente afetadas – um problema enorme para cada estudante, que define as oportunidades que ele vai ter na vida e um passivo para o País”. 

    O gestor público que visa  o bem coletivo olha para todos os argumentos, vê a verdade deles. Mas é função de uma liderança pública tomar a decisão e deixar claros os critérios. Não dá para virar uma bandeira como:  “só volta depois da vacina”. O resultado que se quer está claro: reduzir o impacto na educação e não fazer que a abertura tenha grande impacto na pandemia porque estamos falando em aumento de mortes. 

  O que deveria ter sido feito se o Brasil priorizasse a educação – e isso não quer dizer não se preocupar com as vidas – era abrir as escolas antes do comércio, como outros países. Às custas da educação, estados e municípios reabriram o comércio. Poderíamos, às custas do comércio, ter reaberto as escolas.  As crianças eram tidas como grandes transmissoras da Covid-19, mas  elas circulam nos shoppings também. Os espaços públicos estão lotados de crianças agora. Há pais que estão na praça, mas não querem volta às aulas.   

Já que o comércio foi reaberto, não temos mais essa carta na manga. “ A gente precisa ter um indicador claro do momento em que a escola pode abrir, disse” Priscila.  A população brasileira valoriza a educação da boca para fora. Quando uma população pressiona para abertura de bares e shopping, aí a verdadeira prioridade é revelada. O prejuízo para a educação desses seis meses vai ser muito profundo.  Os livros de história vão mostrar. O Brasil vai se arrepender de ter optado por uma reabertura fora de ordem 

   Se o País tomar mais decisões equivocadas, a gente pode não recuperar nunca. A gente pode acelerar para um fracasso retumbante e não vai se recuperar dos efeitos da economia, vai aprofundar as desigualdades. Eu gostaria de ter governadores e prefeitos obcecados pela educação, perdendo o sono porque as escolas estão fechadas. E quem vai pagar é a geração covid nas escolas hoje. O Brasil vai pagar um preço muito alto por escolher abrir bar antes de escola.

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