DISCRIMINAÇÃO URBANÍSTICA

Artigo enviado ao blog pelo leitor Rafael Dantas

Nesse texto, eu apresento o conceito de racismo de bairro, também conhecido como discriminação entre bairros do Recife ou ainda conhecido como apartheid urbanístico, conceito este que é mais utilizado no meio acadêmico.

O racismo de bairro é um conceito que formulei ao observar  diversas diferenças entre os bairros, no tratamento dado pela prefeitura do Recife, observações feitas através das minhas andanças pela cidade do Recife no 1º Raio – X das  ruas que constam como calçadas,  e não estão,  das ruas só metade calçadas, e a outra metade não, além da ruas que estão com projeto executivo pronto desde 2003,  mas que até hoje também não foram calçadas na cidade do Recife.

Eu fiz esse mapeamento a partir da relação fornecida pelo portal da transparência da prefeitura do recife, obtidas por meio da Lei de acesso à informação das ruas que constam como pavimentadas com a realidade encontrada nos bairros por RPA.

Nesse raio X,  encontrei um problema de 45 anos, segundo relatos de moradores de Campo Grande e da Várzea. Ao mapear  as ruas do Recife, eu encontrei 03 tipos de ruas, que são as ruas que constam como pavimentadas, mas não estão, as que estão parcialmente pavimentadas ou metade calçadas, além de ruas que estão com projeto executivo pronto desde o ano de 2003, na gestão do PT e do PSB, e que também não foram até hoje pavimentadas até hoje.

Foi a partir dessas andanças, que observei uma diferença absurda entre bairros, no tratamento dado pela prefeitura da cidade do Recife aos materiais utilizados nas obras e nos parques públicos, por exemplo, gerando assim um conceito  ao qual denominei como Discriminação Urbanística. Tal discriminação chega a ser gritante, quando observado por  exemplo,  o tratamento desigual dados entre os parque do  Caiara e o parque da Jaqueira,  onde equipamentos que existe no parque da jaqueira – como ciclovia,  academia da cidade , muita arborização e os brinquedos de madeira de eucalipto, não existem no parque do caiara.Isso me fez refletir por quê ninguém nunca viu isso e muito menos corrigiu essa distorção urbanística.

Em segundo lugar, partindo de um olhar mais profundo e cuidadoso, percebi  a causa era o racismo de bairro, ao reparar que os materiais usado no parque da jaqueira, são totalmente diferentes dos materiais  utilizados no parque do caiara.

Cito como exemplo a reforma da calçada, onde no parque da jaqueira a prefeitura do Recife recuou a calçada, ampliando o passeio para pedestre e usou piso intertravado da melhor qualidade, já que é o melhor parque da cidade do Recife.

 Em contrapartida, no parque  do caiara, a prefeitura do Recife retirou o recuo da calçada, deixando um espaço mínimo para o pedestre, que segundo o construtor que fez  reforma do parque do caiara, a diminuição teve o objetivo de afastar os ambulantes da feira de troca, que existe há vários anos na frente do parque.

Em terceiro lugar, reparei também que o racismo de bairro ou discriminação urbanística está presente na pavimentação de ruas e calçadas de bairros menos privilegiados, como o cordeiro, Iputinga, estância, onda a prefeitura do recife usa paralepipedo,  em contraposição a bairros como o da jaqueira, das graças, Casa forte, onde a mesma prefeitura do Recife usa os melhores materiais nos bairros nobres (como o asfalto e piso Inter travado),  gerando assim um contraste discriminatório entre esses bairros, pois o paralelepípedo é um material que não se usa  mais, já que é paralelo é fabrica de escravidão em pleno século XXI. Além disso, ele é arcaico, não tem lógica social, não tem sustentabilidade  econômica e ambiental.

A fábrica de paralelepípedo é uma fábrica de desigualdades, onde não existe condições dignas de trabalho, e os trabalhadores não fazem uso de  EPIs, constituindo uma fábrica de escravidão, ( para qualquer dúvida a respeito dessa colocação, , basta consultar no youtube um vídeo de como é a fabricação de paralelepípedo).

Concluindo,após essa reflexão, acredito que está na hora de mudar esse comportamento  viciado da prefeitura do Recife. Dentro do Direito Administrativo, existe o princípio da igualdade na distribuição dos encargos públicos entre os cidadãos, onde os encargos(impostos) devem ser repartidos de forma IGUAL e JUSTA entre os cidadãos, sem discriminação por conta do bairro e de classe social www.seessaruafosseminha.org .

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