A Moura Dubeux entrega nesta terça-feira (06), a obra de um dos retrofits mais complexos do país, transformando antigos silos industriais em novas moradia. No coração do Recife Antigo – junto ao Porto do Recife e ao polo de inovação do Porto Digital – um marco inédito de transformação urbana ganha forma com a conversão dos antigos silos do Moinho Recife em edifícios residenciais.
As estruturas, que por décadas integraram o movimento industrial portuário, passam agora a desempenhar nova função na dinâmica da cidade, reforçando o potencial de reocupação e revitalização do bairro histórico. A entrega oficial da obra dos residenciais Silo 215 e Silo 240 acontece hoje, consolidando um dos projetos mais significativos da Moura Dubeux na valorização de patrimônio e na criação de novas possibilidades de moradia no Bairro do Recife.
A transformação dos dois silos simboliza um movimento que vai muito além da construção civil. É a reafirmação de que a cidade pode crescer a partir de sua própria história, reocupando áreas estratégicas com planejamento, criatividade e respeito ao legado arquitetônico. Desde 2009, quando cessaram as operações originais do complexo, a estrutura permanecia sem uso.
Agora, ressurgem como novos pontos de luz e convivência na paisagem do Bairro do Recife, ampliando o fluxo de pessoas, fortalecendo o comércio local e estimulando um cotidiano mais ativo e seguro. A chegada dos futuros moradores e investidores reforça um ciclo de transformação que começou com a instalação de cafés, escritórios, lojas e áreas abertas ao público no eixo já revitalizado do Moinho Recife Business & Life.
Para Diego Villar, CEO da Moura Dubeux, essa conversão representa mais do que a entrega de novos empreendimentos: é a materialização de um novo olhar para o centro histórico. “Os silos têm uma força simbólica muito grande. Eles contam a história do Recife industrial, e transformá-los em moradias é dar um novo capítulo a essa trajetória”.

“É uma obra que ressignifica o bairro e abre caminho para que mais pessoas voltem a viver no coração da cidade”, afirmou. Os novos edifícios oferecem um total de 251 unidades residenciais, entre estúdios e apartamentos de um ou dois quartos, com metragens que vão de 19 a 68 metros quadrados; além de duas lojas que ocuparão o piso térreo nas torres.
MEMÓRIA DA CAPITAL PERNAMBUCANA
As tipologias preservam, de forma autêntica, o formato original dos antigos depósitos de trigo, mantendo a volumetria, as curvas e a geometria que caracterizam os silos centenários. Essa integração entre memória industrial e arquitetura contemporânea se estende às áreas comuns, que incluem rooftops conectados por passarela, piscinas aquecidas, lounge bar, academia, salão de festas, espaços de convivência e vistas amplas para o mar e para o tecido histórico da capital pernambucana.
As unidades se dividem em estúdios e apartamentos de um ou dois quartos, com metragens que variam de 19 a 68 metros quadrados. No Silo 240, as tipologias incluem apartamentos de 57 a 58 m² (1 quarto) e de 68 m² (2 quartos). Já no Silo 215, os moradores encontrarão opções de 42 a 46 m² (1 quarto), de 64 m² (2 quartos) e studios entre 19 e 23 m².
Todos os formatos foram concebidos respeitando a circularidade e os limites geométricos das antigas células de armazenamento de grãos, o que reforça o encontro entre autenticidade histórica e funcionalidade contemporânea. Essa intenção de preservar a identidade dos silos é um dos pilares de projeto.
No Silo 215, a solução mais emblemática é o vão central que percorre os 11 pavimentos, revelado a partir da demolição controlada da laje inferior. Esse espaço funciona como uma “janela histórica” da antiga operação industrial, ao mesmo tempo em que cria iluminação, ventilação e um diferencial arquitetônico único.

As unidades, configuradas a partir de um silo e meio, um silo inteiro ou meio silo, mantêm a forma original das células cilíndricas em plantas inusitadas, modernas e extremamente conectadas à memória da estrutura. No Silo 240, o protagonismo da história se manifesta já no lobby, onde os antigos funis piramidais de armazenamento foram preservados e integrados como peças arquitetônicas de grande valor estético e emocional.
Formadas pela junção de dois silos e meio ou três silos, a geometria original das unidades habitacionais segue evidente, agora reinterpretada com conforto, vistas abertas para a cidade e soluções técnicas que garantem segurança e eficiência.
ECONOMIA CIRCULAR
O cuidado técnico também guiou o conjunto de medidas de sustentabilidade, que reforçam o compromisso da Moura Dubeux com economia circular e redução de impactos. Ao reaproveitar uma estrutura integral que poderia ter sido demolida, o retrofit evitou a geração de resíduos em larga escala e diminuiu o consumo de novos insumos.
Parte dos materiais removidos foi reutilizada no próprio empreendimento, incorporada à praça da Comunidade do Pilar, destinada a execução de bases e sub-bases. O aço retirado foi reaproveitado ou reciclado, e sistemas de captação de água da chuva foram adotados para abastecer equipamentos de corte e lavagem durante a obra.
Esse compromisso com sustentabilidade e legado também se traduz em impacto social ao longo da execução do projeto. O MD Social, programa voltado à qualificação profissional, conecta inclusão, capacitação e empregabilidade na construção civil. Desde abril de 2023, já foram formadas 39 turmas, com 711 pessoas capacitadas em ofícios como carpintaria, hidráulica e revestimento, com mais de 40% de participação feminina.

Parte expressiva dos alunos já atua em obras da própria empresa, ampliando oportunidades e gerando transformação real. A obra dos silos foi a primeira a receber uma turma do MD Social voltada para moradores da Comunidade do Pilar, com o curso de auxiliar de demolição. Todos os dez participantes foram absorvidos pela obra após a conclusão do curso, reforçando o papel do empreendimento como agente de desenvolvimento urbano e social.
O ineditismo e a complexidade da obra foram reconhecidos nacionalmente. Este ano, o Silo 215 recebeu o Prêmio Talento Engenharia Estrutural na categoria Sustentabilidade, promovido pela Gerdau e pela Abece, considerado o mais relevante do setor no país. Da mesma forma o projeto recebeu o Prêmio InovaInfra 2024.
A MD foi premiada pelo projeto de retrofit do Moinho, que incluiu os Silos 215 e 240, em Recife, destacando-se pela inovação na reabilitação de estruturas antigas para uso moderno. O projeto foi reconhecido como um caso de referência na categoria de soluções em engenharia. O evento, organizado pela Revista O Empreiteiro, contou com mais de 120 projetos inscritos e teve como foco inovações em infraestrutura, tecnologias digitais e sustentabilidade.
A obra também chamou a atenção de engenheiros estrangeiros, incluindo uma comitiva holandesa que visitou o Recife e conheceu o projeto. O complexo integrou ainda a programação da Missão Empresarial do Enredes, consolidando os silos como um estudo de caso em inovação técnica e requalificação urbana. De acordo com Diego Villar, esse é um movimento que projeta o Recife para o futuro.
“Quando mostramos que é possível unir patrimônio histórico, engenharia de ponta e sustentabilidade, criamos uma referência para outras cidades brasileiras. O Bairro do Recife volta a ser um território de moradia, inovação e convivência”.
Villar destacou ainda, que transformar estruturas centenárias em moradias contemporâneas é um gesto que simboliza compromisso com a história, com a sustentabilidade e com uma visão de cidade mais integrada, vibrante e humana. “Este é um legado que a empresa deixa para o Recife e, ao mesmo tempo, um convite para que outras iniciativas de retrofit e reuso urbano ganhem força nos próximos anos”, finalizou.
Fotos – Divulgação/Assessoria




