PRINCIPAL CANDIDATO DE OPOSIÇÃO DO CONGO MORRE DE COVID-19 UM DIA APÓS A ELEIÇÃO

Foto: Marco Longari/AFP

A morte do opositor Guy-Brice Parfait Kolelas, principal rival do presidente Denis Sassou Nguesso, nas eleições realizadas no domingo (21), no Congo, significa uma guinada inesperada para a votação, na qual, o chefe de Estado espera ser reeleito em primeiro turno. Kolelas, de 61 anos, testou positivo para Covid-19 na última sexta-feira e faleceu na França nesta segunda-feira (22), pouco depois de ter sido transportado de avião de Brazzaville no domingo, dia da eleição.

“Morreu no avião que veio buscá-lo em Brazzaville no domingo à tarde”, declarou Christian Cyr Rodrigue Mayanda, diretor de sua campanha. O MP de Bobigny (Nordeste de Paris) informou à AFP que abriu uma investigação sobre a morte de Kolelas, que não teve o corpo repatriado até o momento. Poucas horas antes do início da votação, Kolela divulgou um vídeo em que, deitado em uma cama, afirmou que lutava “contra a morte”.


“Meus queridos compatriotas, lutando contra a morte, mas peço que se levantem. Votem pela mudança. Assim não terei lutado por nada”, afirmou, debilitado. “Levantem-se como um só homem. Me ajudem. Estou lutando em meu leito de morte. Vocês também, lutem pela sua mudança. O futuro de seus filhos está em jogo”, acrescentou antes de voltar a colocar o equipamento de respiração.


Quando sua morte foi anunciada, o clima era tranquilo em Brazzaville. Os resultados das eleições devem ser anunciados durante a semana – as primeiras projeções- ainda nesta segunda-feira. Nos bairros do Sul, reduto eleitoral de Kolelas, a situação também era calma, apesar da agressão a um correspondente congolês do canal TV5 Monde, na sede do partido do candidato falecido.


“Guy-Brice Parfait Kolelas era um grande líder político congolês. Com ele esperávamos uma mudança. A população congolesa está muito comovida. No momento, não imaginamos quem poderia substituí-lo”, declarou um simpatizante do político morto, Wilfrid Raoul. Opositor histórico, Kolelas parecia este ano o único rival de peso do presidente Sasssou Nguesso, 77 anos, que está há 36 anos de poder.

O presidente desejou uma “pronta recuperação” ao rival depois de votar no domingo. A eleição aconteceu sem grandes incidentes, com forte presença das forças de segurança. A Igreja Católica, no entanto, não foi autorizada a mobilizar seus observadores e questionou a transparência das eleições. Sassou Nguesso chegou ao poder em 1979, mas foi derrotado por Pascal Lissouba nas primeiras eleições com vários partidos em 1992.

Mas, o raro exemplo de alternância pacífica na África Central terminou em 1997, com o retorno ao poder de Sassou Nguesso, depois de uma guerra civil contra as forças de Lissouba. Em 2015, ele modificou a Constituição que limitava os número de mandatos presidenciais a dois. Em 2016, a reeleição de Sassou Nguesso provocou uma violenta rebelião na região de Pool, reduto da oposição.

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