SAÍDA DA FORD DO BRASIL É POLITIZADA POR OPOSITORES DO PRESIDENTE BOLSONARO

O impacto do anúncio do encerramento da produção de veículos da Ford em suas fábricas no Brasil foi além do setor econômico e atingiu o campo político. A montadora mantinha produção no País por mais de um século e mantinha fábricas em Camaçari (BA) e Taubaté (SP), para carros da Ford, e em Horizonte (CE), para jipes da marca Troller.

Opositores criticaram a saída do investimento e acusaram o Governo Federal de falta de credibilidade. Já o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, ontem, que faltou à Ford “dizer a verdade” sobre o que motivou sua saída do Brasil, e afirmou que a empresa queria a continuidade de benefícios fiscais no país.

“Mas o que a Ford quer? Faltou à Ford dizer a verdade, querem subsídios. Vocês querem que continue dando R$ 20 bilhões para eles como fizeram nos últimos anos – dinheiro de vocês, impostos de vocês – para fabricar carros aqui? Não, perdeu a concorrência, lamento”, declarou o presidente, na saída do Palácio da Alvorada. As declarações do mandatário foram publicadas numa rede social de Tercio Arnaud, assessor da presidência. 

Na conversa com apoiadores, Bolsonaro criticou a imprensa e afirmou que, num ambiente de negócios, empresas que não têm lucro encerram suas atividades. “Há três anos a Ford anunciou que não ia mais produzir carro de passeio nos EUA. E falta de ambiente de negócios, na verdade eles (Ford) tiveram subsídios nossos ao longos dos últimos anos de R$ 20 bilhões. Queriam renovar subsídios para fazer carro para vender”, disse.

“Agora tem a concorrência também, chinesa, entre outros, então (a Ford) saiu porque num ambiente de negócios quando não tem lucro, você fecha. Assim é na vida em casa nossa. Perder emprego, tem uma pessoa ajudando ele, vai demitir aquela pessoa. A Ford é mesma coisa, lamento os 5.000 empregos perdidos”, concluiu.

Ele citou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério da Economia, referente a criação de vagas de emprego em novembro do ano passado. “Agora a imprensa não fala que em novembro criamos 414 mil empregos”, declarou.

Críticas

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a decisão da Ford de fechar todas as fábricas no Brasil é reflexo da falta de credibilidade do governo. Segundo ele, é necessário proporcionar segurança jurídica para a iniciativa privada.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou que o fechamento da fábrica no Estado expõe um problema de fundo. A seu ver, o Brasil abandonou planos para estimular uma produção mais elaborada, dedicando-se basicamente à produção de commodities agrícolas. Os riscos da política, somados ao baixo crescimento (que minou as vendas), completaram um cenário que está levando o país a se tornar uma grande fazenda.

Outros políticos, inclusive da base aliada do governo, criticaram o governo pelo anúncio. O deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), ex-ministro da Indústria e cujo partido integra o Centrão, afirmou que a decisão é lamentável e afirmou que a situação econômica do país pode ter reflexos nas eleições em 2022. Ciro Gomes, candidato a presidente em 2019, afirmou que a decisão da Ford é um desastre e pediu a saída de Jair Bolsonaro da presidência.

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