Poder 360
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teve seus primeiros 15 dias no cargo marcados pelo aumento das expectativas da oposição pela pautação do Projeto de Lei- PL que anistia os condenados pelos atos de 8 de Janeiro e pela recorrência do imbróglio sobre as emendas de congressistas.
Desde o início das articulações que o elegeram à presidência da Casa Baixa, Motta se manteve discreto e calado quanto a assuntos que poderiam causar algum ruído, como o PL da anistia. O tema era sensível tanto para a oposição quanto para a base governista e, qualquer declaração do congressista sobre a proposta poderia ameaçar sua eleição. Depois de eleito, o Presidente enviou recados, muitos tendo, o Executivo como destinatário. Confira abaixo.
Batalha do boné – Declarou que o acessório serve para proteger a cabeça e não resolve os problemas do Brasil depois de governistas e congressistas de oposição protagonizarem um duelo de bonés com mensagens.
Pede responsabilidade – Afirmou que projetos do governo com o objetivo de aumentar a arrecadação enfrentarão resistência entre os deputados e que aumentar impostos é empobrecer o País
Inflação dos alimentos – após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedir ao brasileiro que evite consumir alimentos caros, Motta reagiu: “A população está sofrendo muito com o preço da comida. E a melhor forma de controlar o preço (do alimento) é controlar o gasto público”.
Recado direto para Lula – Pediu ao petista que não fale apenas para a “bolha” e criticou o sigilo de 100 anos mantido pela atual administração. Os recados para o Judiciário foram focados no 8 de Janeiro:
Anistia do 8 de Janeiro – Disse um dia depois de ser eleito que o tema “com certeza” será discutido com os líderes partidários, mas depois declarou não haver uma “decisão tomada” sobre pautar ou não pautar.
Pena dos condenados – Falou que há um desequilíbrio nas condenações dos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro e que não avalia que houve uma tentativa de golpe no início de 2023. Informou que essa é sua opinião pessoal.
Reunião com familiar de foragido – Motta recebeu em 11 de fevereiro a mulher de um dos condenados (ele está foragido). Os posicionamentos de Motta sobre o 8 de Janeiro renderam elogios do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele já chamou o novo chefe da Câmara de “cabra da peste” e pediu que “Deus continue iluminando” o deputado do Republicanos.
8 DE JANEIRO E ANISTIA
Hugo Motta se posicionou sobre o tema em 7 de fevereiro, quando disse que os atos extremistas às sedes dos Três Poderes não podem ser considerados uma tentativa de golpe de Estado. “Não pode penalizar uma senhora que passou na frente, não jogou uma pedra e condenar a 17 anos”.
“Há um certo desequilíbrio nisso. Devemos punir quem quebrou, mas não dá para exagerar nas penalidades para quem não cometeu atos de tanta gravidade”, declarou. Internamente, o Palácio do Planalto rechaçou as declarações. No entanto, o governo evitou se manifestar publicamente para manter a ideia de que a gestão de Motta representará uma pacificação em relação à de seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), que teve atritos com o governo.
O Congressista afirmou que a declaração se tratava de uma “opinião”, mas que, como presidente da Casa, não irá se posicionar de forma isolada. Disse por vezes, que a votação da anistia dependerá da aprovação de líderes partidários.
Foto: Sergio Lima/Poder360




