A excelente série sobre Marco Maciel que Magno Martins vem publicando neste blog amplia o conhecimento das ações de um dos mais importantes políticos pernambucanos. Jeitoso com aliados e adversários, gentil com os não políticos, Maciel sempre foi um obstinado perseguidor dos seus objetivos sem sobrepor-se a ninguém.
Montou uma eficiente equipe de gestores públicos que transcendeu os tempos de governança no Estado. Em mais de 50 anos de atividades, Maciel – o Parlamentar, governador e vice-presidente da República – gerenciou a máquina pública com perícia e sem qualquer mancha criminosa.
Os macielistas – como ficou conhecido este grupo de apoio no serviço público – estão aí até hoje prestando serviços ao poder público e à iniciativa privada.
Mas como apontou a pesquisa de Magno Martins, Marco Maciel não formou um herdeiro político do seu porte. A ala mais política deste grupo conseguiu ser apenas um elemento periférico do líder pernambucano.
Já Maciel, herdeiro do mundo do seu pai, o ex-prefeito do Recife José do Rego Maciel, foi além do seu mentor. Teve uma trajetória política própria e criativa, mas sempre mostrando respeito e gratidão a quem lhe introduziu na vida pública.
Outro que vai deixar o mundo sem herdeiro político de peso semelhante ao seu é o ex-presidente Lula. Diferente de Maciel, que sempre juntou pessoas pelas tarefas desafiadas, Lula agregou no seu entorno deslumbrados com seu carisma de líder petista. Sempre seguidores carentes de uma identificação com o que Lula é ou oportunistas sequiosos de ganhos eleitorais e financeiros.
Mas quem, nesse contexto, poderia herdar o carisma de Lula e alavancar uma carreira solo? José Dirceu – condenado no Mensalão e Petrolão, com imagem desgastada – o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o invasor de propriedades Guilherme Boulos, o senador pernambucano Humberto Costa? Nenhum deles. O Partido dos Trabalhadores sem Lula não tem futuro.
Já o ex-governador Miguel Arraes teve mais sorte. Ele, que fez quase uma carreira solo desde o início da sua carreira e contou no máximo com um empurrãozinho do seu concunhado Cid Sampaio, pode acompanhar ainda o desenvolvimento da sua cria.
Arraes, que foi governador de Pernambuco, exilado na Argélia, novamente governador, viu com bons olhos crescer no seu entorno o neto Eduardo Campos. Um talento desenvolvido sob orientação do velho político.
Eduardo Campos foi um herdeiro diferenciado que criou seu próprio caminho no mundo da política: deputado estadual, deputado federal, ministro, governador e ia ao encontro da Presidência da República – um sonho alimentado pelo avô para si próprio nunca realizado. Um trágico acidente aéreo o tirou da vida para colocá-lo no imaginário pernambucano: como seria Eduardo presidente?
A política brasileira ainda se caracteriza muito pela sucessão hereditária. O DNA dos palanques às vezes está em alguns dos herdeiros e falta em outros. Mas são situações que perduram. É a contínua busca pelos holofotes dos parlamentos e governos.
” É a “imortalidade” buscada pelo clã para se manter no poder, seja ele municipal, estadual ou federal. Achando que o eleitor que votou no avô, vota no pai, no filho ou no neto. Um feito sucessório monárquico que deveria ter sido extinto com a chegada da República em 1889.
Mas por conta dessa tradição hereditária, que mais erra do que acerta, não se pode desconhecer que muitas vezes os herdeiros são melhores do que os DNA originais. E podem desenvolver brilhantes carreiras.
O problema é que a tradição também bloqueia o espaço para a renovação dos quadros políticos nacionais. A gorda herança de votos faz a diferença numa eleição. Uma desvantagem para os deserdados da política. É isso.
Por: Antonio Magalhães – Jornalista




