PRESIDENTE DO STJ, HERMAN BENJAMIM VÊ CRIME ORGANIZADO QUERENDO OPERAR NA CORTE

Presidente do Superior Tribunal de Justiça – STJ, Herman Benjamin, 68 anos, afirmou ao Poder360 que a investigação da Polícia Federal sobre o esquema de venda de decisões judiciais na Corte pode ter relação com o crime organizado.

Na avaliação do magistrado, o “nomadismo”, que é a forma que ele chama a constante mudança de funcionários entre gabinetes, pode estar associado ao crime organizado. “É exatamente esse nomadismo que se associa ao crime organizado. Ah, o processo importante caiu no gabinete da ministra ou do ministro X ou Y. Então, você vai sair e vai para este outro gabinete”.

“Não estou dizendo que isso foi constatado, mas é uma possibilidade”, disse. Ele afirma que o “nomadismo” era visto como natural: “O servidor chegava e dizia para o ministro: ‘Olha, eu recebi uma proposta melhor de um outro gabinete’. Ou ‘estou insatisfeito aqui e vou para o outro gabinete’. Até este episódio, não víamos problema nenhum”.

“Hoje temos que repensar como cuidar desse nomadismo. No meu gabinete, por exemplo, nunca teve. Estou aqui há 20 anos. A maior parte dos integrantes do meu gabinete está comigo pelo menos há 10”, declarou o presidente do STJ.

CHOQUE DE REALIDADE

Herman Benjamin diz que a investigação foi um “choque de realidade” para o Tribunal: “Até este episódio, vivíamos num sentimento de Shangri-lá. De que éramos diferentes dos outros. De todas as instituições brasileiras e estrangeiras”. Shangri-lá é uma referência a um lugar fictício descrito em “Horizonte Perdido”, do escritor James Hilton (1900-1954).

No livro, os sobreviventes de um desastre aéreo caem em uma vila na região das montanhas do Tibete onde encontram paz e um ambiente utópico. O magistrado afirma reconhecer a gravidade da investigação, mas que “seria utópico.

O magistrado afirmou também reconhecer a gravidade da investigação, mas que “seria utópico imaginar que o Superior Tribunal de Justiça, com mais de 5.000 servidores, não tivesse uns poucos incapazes de se comportar de acordo com os padrões éticos que são exigidos”.

“Agora, nós ministros queremos todos que esses fatos sejam apurados em profundidade. Punidos exemplarmente. E que o exemplo sirva não só para nós, mas para toda a Justiça brasileira, já que nós somos uma corte nacional”, declarou.

Foto: Sérgio Lima/Poder360 .

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