CARRERO ERA UM CARA LINDO

Carrero era um animal literário. Nasceu e viveu para a literatura. Escreveu mais de uma dezena de livros. Livros à mancheia, como dizia Castro Alves. Carrero também era um resiliente, para usar a palavra da moda. Em 2010, há 16 anos, o cara teve um AVC e ficou com sequelas.

Mesmo assim continuou produzindo literatura, livros, e dando aulas aos seus discípulos na oficina de letras. Incrível! Poderia dizer “Eu sou uma máquina de ideias”. O cérebro não esmoreceu A temática de Carrero era meio fantasmagórica, feita de assombrações, tipo “As sombrias ruínas da alma”.

Uma vez depois desse sísmico cerebral eu disse para ele: “Carrero, você é uma fera, não sei como continua produzindo literatura”. Ele respondeu: “Eu também não sei”. Ele transportava as assombrações para a literatura. Em matéria de literatura e de vida, Raimundo Carrero tinha uma paixão ardente pelo seu compadre e mestre Ariano Suassuna.

Os livros de Ariano refletem as paixões dele pelos reisados e pela literatura de cordel. Se eu disser que Ariano não era um cara lindo e eu não sou apaixonado pelo movimento armorial, os devotos dele podem me dar uma vaia ou até uma surra. Eu morro de medo. Nem sei o que significa armorial.

O jornalista Raimundo Carreto também tinha uma paixão febril pelo Diario de Pernambuco. Ele saiu do Diario, mas o Diario nunca saiu dele. Ouso dizer que Carrero foi além de Ariano em matéria de temática e imaginário. Ele não tinha nada de armorial. Ariano é uma grife. Eu adorava ouvir as doideiras e as prosas surrealistas de Carrero. Ele era um cara lindo.

Por José Adalbertovsky Ribeiro Periodista

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