SEAP/PE DIVULGA LIVRO ESCRITO POR MULHERES CUSTODIADAS DA COLÔNIA BOM PASTOR
Em alusão ao Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher, lembrado neste sábado (10), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap/PE) divulga o livro “180: Antes que Seja Tarde Demais” – obra em que mulheres em privação de liberdade transformaram memórias e experiências de violência em textos.
As cartas foram escritas durante uma oficina literária realizada dentro da Colônia Penal Feminina do Recife (CPFR), localizada no Bairro do Engenho do Meio. Durante os encontros, as internas foram convidadas a escrever três cartas destinadas a si mesmas em diferentes momentos da vida.
A oficina combinou livros, músicas, vídeos e documentários sobre o tema, além de rodas de conversa em que elas compartilharam experiências pessoais. A iniciativa é do Governo do Estado, através da Seap e da Secretaria de Educação, juntamente com o Tribunal de Justiça de Pernambuco, o Conselho Nacional de Justiça e a Editora Giostri.
De acordo com a supervisora de educação da unidade prisional e uma das organizadoras da obra, Allayni Vasconcelos, os encontros possibilitaram que as participantes reconhecessem diferentes formas de violência presentes em suas próprias histórias.
“Tivemos histórias de abuso, assédio, violência física, psicológica, financeira, as mais diversas violências. Situações que, antes, elas nem nomeavam como violência. Então reconhecer e nomear o que é violência é uma forma de enfrentar”.
A oficina “180: Antes que Seja Tarde Demais” – nome que faz referência ao Ligue 180, canal de atendimento e denúncia de violência contra a mulher- surgiu a partir de experiências anteriores de produção de livros com pessoas privadas de liberdade.
A escrita das cartas, segundo Alex Giostri, que atua no Comitê Interinstitucional de Fomento e Acompanhamento da Política Nacional de Cultura no Sistema Prisional e na Editora Giostri, permite um exercício de reflexão sobre a própria trajetória.
“Ao escrever para si mesma em diferentes momentos da vida, a participante passa a estabelecer um diálogo com suas experiências, com o presente e com aquilo que deseja construir depois do período de privação de liberdade”, destaca.
“Eu acho que ele [o livro] faz com que as nossas histórias se propaguem, que as pessoas conheçam nossas dores, nossos sofrimentos e que nem tudo seja só um crime. Às vezes, são problemas sociais que nos trouxeram até aqui”, afirmou a interna M.D, 35 anos, uma das participantes da oficina.
O livro é distribuído gratuitamente através do e-mail: giostrieditor@terra.com.br
Foto: Franci Almeida e Laura Albuquerque/Seap



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