Eleito senador pelo Rio Grande do Sul, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) afirmou que vai atuar para que o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) seja discutido na próxima legislatura.
“Se há indício forte de crime de responsabilidade, que se abra o processo”, afirmou Mourão, durante entrevista ao Estadão. Na análise do Vice, o ministro Alexandre de Moraes, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ultrapassou os limites de sua autoridade e está prevaricando ao atuar como “investigador, denunciador, e parte ofendida”.
“Eu acho que ele ultrapassou o limite do poder dele. A Corte poderia dizer ‘Alexandre, pode baixar tua bolinha aqui. Está errado isso que você está fazendo. Não vamos aprovar essas tuas medidas”, disse. Mourão não se pronunciou sobre a possibilidade de disputar a presidência do Senado, se tiver apoio, embora considere cedo para pleitear a vaga.
Do gabinete anexo ao Palácio do Planalto, espaço que deixará dentro de 72 dias, o General de Exército da reserva afirmou que, o Alto Comando “não cria ruído” político e que as Forças Armadas já teriam se pronunciado caso houvesse alguma irregularidade no primeiro turno das eleições.
A campanha do presidente Bolsonaro reclama que o ministro Alexandre de Moraes está interferindo demais contra ele, no combate às fake news, que tomaram conta na eleição. Como avalia a reação das instituições à desinformação?
“Na minha visão o Alexandre de Moraes vem prevaricando ou até, vamos dizer assim, ele está ultrapassando o limite daquilo que é a autoridade dele. Porque no momento que ele conduz o inquérito onde ele é investigador, ele é denunciador, ele é julgador e também é parte ofendida. Isso tá errado. O devido processo legal não está sendo respeitado aqui no nosso País”.
Essa é a realidade das ações do Alexandre Moraes. No momento em que ele pega uma reportagem de um meio de comunicação que, há dois anos, ele disse que só falava fake news e usa aquela reportagem para fazer busca e apreensão na casa das pessoas – e busca e apreensão é a decisão mais grave que você pode ter em relação a uma pessoa – bloqueia as contas das pessoas”.
Ele ultrapassou o limite do poder dele, e competiria ao restante da Corte dar um freio nele, mas a Corte não está fazendo isto.
Estadão




