Aena Brasil, concessionária que administra o Aeroporto Internacional do Recife, concluiu todos os trabalhos necessários ao religamento do sistema de orientação de pousos, que provocou o desvio de diversos voos durante o inverno.
Segundo a Aena, a conclusão aconteceu ainda no dia 12 de setembro. Outra novidade informada pela concessionária é que o voo da Força Aérea Brasileira (FAB) necessário para calibrar o equipamento também foi realizado. E que, desde então, as cartas estão em fase de elaboração pela Aeronáutica, para posterior publicação.
O Sistema de Pousos por Instrumentos (no inglês, Instrument Landing System – ILS) está desativado desde maio deste ano, devido à grande reforma estrutural que a Aena vem realizando no terminal.
O desligamento provoca o arremetimento de aeronaves e o desvio de voos para outros terminais quando chove no Recife. Sem o sistema, os pilotos não conseguem descer quando não têm visualização da pista. O ILS é fundamental para orientar a aterrissagem quando não há visibilidade da pista.
Esse contato visual só seria possível a partir dos 200 pés de altura (o equivalente a 61 metros de altura). Até chegar a esse patamar, só é possível realizar o procedimento de pouso com o ILS. Sem conseguir realizar a aterrissagem com chuva, já que não tem a orientação do equipamento, os pilotos precisam arremeter a aeronave e seguir para outros aeroportos da região.
O fato causa medo e muitos transtorno aos passageiros, além de prejuízo econômico às companhias aéreas. A previsão é de que o ILS volte a ser ativado no Aeroporto Internacional do Recife ainda em outubro.
Depois de muitas críticas e reclamações, no fim de agosto a Aena Brasil instalou um sistema provisório e paliativo para auxiliar os procedimentos em dias de chuva, até que o ILS possa ser, novamente, ligado pela FAB.
Segundo a concessionária, desde o dia 10 de agosto entrou em vigor um novo procedimento de navegação aérea para o Aeroporto do Recife que, embora não substitua o ILS, será fundamental para auxiliar os pilotos nas aterrissagens. É o RNP-AR, que permite operação com visibilidade mínima de até 100 metros de altura e 1.400 metros de distância da pista de pouso.
A medida oferece um avanço em relação aos 150 metros de altura e 2.200 metros de distância, necessários antes dessa providência. O procedimento funciona por meio de equipamentos de geolocalização embarcados nas aeronaves, usualmente disponíveis em boa parte dos voos que chegam ao Recife. E requer tripulação habilitada para utilizá-lo, o que também é comum.
EXPLICAÇÕES DA AENA
A concessionária explicou que, como a pista passou por melhorias, inclusive com a instalação de zonas de segurança antes inexistentes, como as Runway Escape Safety Areas (RESAs), um dos equipamentos do ILS (Glide) precisa ser movido para funcionar de acordo com a nova localização da cabeceira.
No fim de maio, para cumprir as obrigações contratuais da concessão, a cabeceira da pista teve que ser realocada e o Glide, desativado. O desligamento é imprescindível até que sejam concluídos o processo de análise do reposicionamento do equipamento e a revisão das cartas de navegação pelos órgãos de navegação aérea, que estão em andamento.
Caso o equipamento permanecesse ligado, poderia induzir os pilotos ao erro. A Aena vem mantendo reuniões e trocas de documentos com os órgãos competentes desde o segundo trimestre de 2022, e finalmente, em 16 de dezembro abriu junto ao Cindacta III o processo de ajuste. Entre maio e junho, ajustes ao projeto foram solicitados e entregues pelo aeroporto.
Foto – Divulgação




