LIDERANÇAS DO SETOR DE VAREJO DO PAÍS PUBLICAM MANIFESTO CONTRA MEDIDAS DO GOVERNO FEDERAL

Reunidos em um congresso em Blumenau, Santa Catarina representantes de sindicatos empresariais de várias regiões do país, entre os quais, o  Sindicato dos Lojistas do Comércio de Bens e Serviços do Recife – Sindilojas Recife e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Recife), elaboraram um manifesto contra medidas do governo federal.

Uma das razões do manifesto é a proposta que acaba com a jornada de trabalho 6×1. A intenção, segundo lideranças que assinam o documento ocorre, em defesa das micro e pequenas empresas.  O 41º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais (CNSE) – que aconteceu até esta sexta (29), no Parque Vila Germânica.

Ecento reuniu mais de 800 lideranças de 19 estados e do Distrito Federal – representando um setor que move 56% do PIB nacional, sete milhões de empresas e geração de 43 milhões de empregos. Confiira abaixo conteúdo do documento publicado pelos sindicatos. Confira abaixo íntegra do manifesto.

“Nós, representantes dos sindicatos empresariais do comércio de bens, serviços e turismo de todas as regiões do Brasil, reunidos no 41º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais (CNSE) em Blumenau, Santa Catarina, no dia 29 de maio de 2026, vimos a público manifestar nossa mais veemente oposição às medidas recentes do governo federal que atacam diretamente as micro e pequenas empresas.

A redução da jornada 6×1 sem prazo de adaptação, a aplicação da NR-1 com novos custos sem contrapartida, o congelamento dos limites do Simples Nacional desde 2017, a extinção do imposto das blusinhas sem redução da carga tributária sobre as MPEs e a omissão diante do avanço das apostas online (Bets) que drenam bilhões da economia real. 

Redução da jornada 6×1 sem prazo de adaptação, somos favoráveis às pessoas, contrários à pressa – Não somos contra as melhores condições de trabalho. Pelo contrário: trabalhador valorizado é trabalhador produtivo. O que rejeitamos é a irresponsabilidade de impor uma mudança dessa magnitude sem dar ao empresário tempo para se adaptar.

Uma reforma trabalhista aprovada no ritmo da agenda eleitoral, sem escutar quem emprega, transfere inteiramente o custo para a micro e pequena empresa, e o resultado será demissão, não progresso. Um prazo mínimo de quatro anos é o razoável. O setor produtivo não vai aceitar pagar essa conta sozinho.

Aplicação da NR-1 sem redução da burocracia, mais custo para quem já carrega demais – A exigência de gerenciamento de riscos psicossociais pela NR-1, sem qualquer contrapartida de simplificação ou apoio ao pequeno empresário, representa mais um custo sobre quem já opera no limite. A micro e pequena empresa não tem departamento jurídico, não tem RH estruturado e não tem fôlego para absorver novas obrigações sem suporte. Cobrar cumprimento sem oferecer condições é punir quem tenta fazer certo.

Atualização dos limites do Simples Nacional desde 2017, a inflação que corrói quem menos pode – Desde 2017 os limites de faturamento do Simples Nacional não são reajustados. Na prática, milhares de micro e pequenas empresas foram empurradas para faixas tributárias mais pesadas sem que sua capacidade real de pagamento tenha crescido. Corrigir esses limites não é favor, é obrigação do Estado para com quem faz a economia girar.

Extinção do imposto das blusinhas, concorrência desleal às custas do varejo nacional – O Governo Federal, por meio da MP nº 1.357/2026, promoveu uma redução sem precedentes da tributação sobre o comércio eletrônico estrangeiro.

A medida estabelece isenção total, ou seja, 0% de Imposto de Importação, para compras online de até US$50 dentro do Programa Remessa Conforme. Para encomendas entre US$50 e US$3.000, a alíquota caiu de 60% para 30%. Na prática, o comércio internacional foi drasticamente desonerado enquanto o varejista brasileiro continua arcando com a mesma carga tributária de sempre.

Vale ressaltar que em 2025, a taxa das blusinhas arrecadou R$ 5 bilhões e garantiu condições minimamente justas para o comércio brasileiro. Plataformas chinesas voltam a competir sem imposto federal, enquanto o varejista nacional paga tributos, gera empregos formais e arca com todos os custos de quem produz dentro da lei.

Revogar esse imposto sem reduzir a carga sobre as MPEs não é liberalismo, é escolher o lado errado. Os efeitos são múltiplos, imediatos e assimétricos, e afetam desproporcionalmente os elos mais vulneráveis da cadeia produtiva:

Empregos em risco – Segundo estimativa da CNI, a taxa preservou 135 mil postos de trabalho – Microempresas e pequenos varejistas, sem escala para absorver a concorrência desleal, serão os primeiros a fechar. O setor de vestuário e acessórios, principal ramo das MPEs, é o mais vulnerável.

Perda de arrecadação – A perda total estimada chegará a R$42 bilhões anuais, muito além dos R$5 bilhões do imposto zerado. Plataformas internacionais faturaram R$40 bilhões no Brasil entre 2023 e 2025 sem investir praticamente nada no país.

Prejuízo ao consumidor – A destruição da produção local eliminará concorrências e reduzirá a oferta de produtos com garantia e conformidade com normas brasileiras, deixando o consumidor dependente de plataformas que não prestam contas no Brasil.

Desinvestimento – A insegurança regulatória ameaça os R$100 bilhões previstos para investimento do comércio em 2026.

Contrassenso global: EUA, México, Índia, Turquia, Indonésia e a União Europeia, que em junho de 2026 passou a cobrar imposto sobre produtos de até €150, seguiram o Brasil na tributação dessas plataformas. O Brasil, pioneiro nessa causa, agora retrocede isolado.

O avanço das apostas online, R$ 25 bilhões que saem da economia real – O jogo é proibido no Brasil. Ainda assim, as apostas online consomem R$25 bilhões por ano que deixam de circular no comércio, nos serviços e nas pequenas empresas brasileiras. Esse dinheiro não gera emprego, não paga fornecedores, não movimenta o varejo local, e ainda provoca graves consequências sociais para milhares de famílias.

Enquanto o setor produtivo é taxado e fiscalizado a cada passo, um sistema que drena bilhões da economia real opera sem regulação efetiva. Isso não é aceitável. O recado é claro: o empresário brasileiro quer crescer, contratar e investir. Mas precisa de um governo que seja parceiro, não adversário”.

Foto – Divulgação

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