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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Política e cotidiano de Pernambuco

OPINIAO

A URNA DE OUTUBRO

Por Luzimar Dias

Revista Oeste

Estamos nos últimos dias de uma decisão crucial nas urnas: continuar ou mudar. Ainda são muitas as incertezas. O Supremo é incerto, ministros que já não se enquadram na exigência constitucional de reputação ilibada continuam com o poder de julgar; o TSE está incerto.

Seu presidente está acuado e aparece como “KN” em suspeitas, mensagens; o sistema tributário do ano que vem é incerto; com gigantesco desequilíbrio fiscal e altíssima dívida pública, a inflação e os juros são incertos; enfim, nosso futuro é incerto. Como a decisão de continuar ou mudar sairá em breve das urnas, tudo que esperamos da cegueira da apuração é que a contagem de votos seja certa.

O presidente Lula está nervoso ao sentir a brisa de uma virada. A reeleição era certa, mas ficou incerta. Está cometendo erros que não cometia. Agora brigou com as bets – brigou com um lobby fortíssimo do jogo, e com clubes de futebol e suas torcidas; arrisca-se a ser enquadrado em crime eleitoral prometendo canetas emagrecedoras e ajustando em 15% o Bolsa Família sem estar no orçamento e a ser pago entre o primeiro e o segundo turno.

Prega o fim do celibato e sacerdote-mulher na Igreja Católica – era a religião em que tinha votos. Aguça a hostilidade do agro, mandando os produtores de Santa Catarina se ajoelharem diante dele; estimula a hostilidade dos bolsonaristas, avisando que quer reeleição para manter Jair na cadeia.

Com isso, reconhece que, com sua derrota, sai anistia para todos do 8 de janeiro. Está confuso. Nas falas, tem trocado Marisa por Janja e vice-versa. Às vésperas de eleição, nunca acumularam tantas tragédias institucionais e morais como agora. Parece que o destino está testando o brasileiro. Nascemos em berço esplêndido, dádiva da natureza, e sempre nos cabe perguntar se merecemos; agora parece ser um teste.

Somam-se desvios morais, legais e institucionais. Depois de tantos anos passivos, omissos e silenciosos,
estaremos à altura do desafio de corrigir os desvios com as nossas decisões, nossas escolhas nas urnas? Começou com o Supremo e terminou com o Supremo – não é apenas um trocadilho.

Foi quando o STF frustrou a esperança de que a Lava Jato representasse o fim da impunidade e início de uma era de moralidade, legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, princípios estabelecidos no art. 37 da Constituição. Mas Fachin e o Supremo de Gilmar, Barroso e Toffoli acabaram com o sonho. Hoje acumulam-se os frutos podres daquela atitude, a poucos dias da oportunidade de mudar ou continuar.

Esta semana a Polícia Federal fez busca em imóveis de Antônio Carlos Freixo Jr., banqueiro em negociatas com o Master. Lavou R$ 176 milhões com 570 prêmios de loteria. Há mais de 30 anos o “anão do Orçamento”, deputado João Alves de Almeida, já havia feito o mesmo, com 200 bilhetes premiados.

No escândalo dos deputados anões morais que desviavam o Orçamento, alguns foram cassados, outros renunciaram, e ninguém está na cadeia. Depois veio o Mensalão, com o governo comprando votos, e só o operador, o publicitário Marcos Valério, pegou 37 anos e está no semiaberto. O chefe José Dirceu é candidato a deputado federal.

Depois veio o Petrolão, que condenou e prendeu. Um deles é presidente da República e candidato à reeleição – nem ficha-suja é; multas de bilhões foram suspensas por Toffoli. Depois disso, foi como se uma luz verde brilhasse, abrindo o tráfego – ou o tráfico – para trambiques, compras de sentenças.

E também aluguel de consciências, lavagens de dinheiro, prevaricações e omissões, imoralidades em geral, inclusive aquelas de sentido mais popular, com eslavas regadas a uísque em ambiente enfumaçado por havanas, sob olhares deslumbrados de servidores do público. Está tudo óbvio, claro, já nem se escondem, porque creem no dogma da impunidade.

Riem da covardia do povo, intimidado pelas covas abertas na pandemia e pelas prisões do 8 de janeiro. Será que estão confiantes nos algoritmos da apuração? Os que juraram cumprir a Constituição são perjuros, pois não vige o artigo 37 da moralidade, impessoalidade, publicidade – nem o 101, da eputação ilibada – entre tantos outros, principalmente os princípios que estão na cláusula pétrea, que é o artigo 5º.

Há muitas soluções para isso, como mostra a História. Algumas cobraram dores de civilizações inteiras. Mas há uma solução pacífica e civilizada. Está na urna de outubro.

Por Alexandre Garcia – Jornalista

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