Apesar de o ex-presidente Lula (PT) aparentemente manter sua força eleitoral no Nordeste, isso não tem sido capaz de fazer com que candidatos locais da sigla e de partidos aliados despontem nas pesquisas. Isso porque, conforme as pesquisas de opinião, nos três maiores colégios eleitorais da região os pré-candidatos apoiados pelo petista não apresentam bom desempenho.
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) ocupa o segundo lugar na pesquisa RealTime BigData, divulgada na última quinta-feira, com 18% das intenções. Porém, está muito atrás do primeiro colocado, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), com 56% das intenções de voto.
No Ceará, a disputa pelo governo é liderada pelo bolsonarista Capitão Wagner (União Brasil). O PT ainda não tem candidato próprio no Estado, mas tenta sustentar uma estremecida aliança com o PDT regional – controlado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes em que ocupa o segundo lugar nas pesquisas eleitorais.
Ainda não há definição do nome a ser lançado pelo PDT ao governo cearense, se será o ex-prefeito Roberto Cláudio ou a atual governadora, Izolda Cela. Em reunião tensa entre os partidos na última quinta, o deputado federal José Guimarães (PT-CE) deixou claro que seu partido não apoiará o nome de Roberto Cláudio.
Já em Pernambuco, é o “excesso” de apoio de Lula. O presidenciável deixou claro que a candidatura apoiada pelo PT é a do deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE) — que, aliás, ocupa o quinto lugar nas pesquisas locais, com modestos 8% dos votos. Quem lidera é a deputada federal Marília Arraes (Solidariedade-PE), que deixou o PT este ano, mas usa a imagem de Lula em sua campanha ao Palácio do Campo das Princesas.
O ex-presidente até que não vê problema nisso. Para ele, e outros membros de sua campanha, quanto mais palanques, melhor. Porém, o PSB de Pernambuco quer a exclusividade no uso da imagem de Lula, temendo que o atrelamento de Marília ao petista desidrate Cabral definitivamente.
RACHA
A proposta de rda reforma trabalhista, formulada sem consulta aos partidos apoiadores da pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rachou também a base de apoio sindical em torno do ex-presidente. Sindicalistas criticam o conteúdo das diretrizes para o programa de governo, elaborado pela Fundação Perseu Abramo, sob coordenação do ex-ministro Aloizio Mercadante.
Com as mais variadas visões sobre as questões trabalhistas, os sindicalistas reclamaram do uso do termo “revogação”. Para contornar as queixas, o PT e aliados solicitaram o posicionamento das centrais sindicais a respeito do tema e farão alterações no texto conforme as sugestões das lideranças. Na próxima semana, os presidentes dos sindicatos se reunirão para construir um texto de consenso.
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