Esta é uma semana diferente. Com a distância de dois dias o que se viu no noticiário foi a livre expressão popular. Começou no domingo, 4, quando 62 por cento dos 13 milhões de eleitores chilenos mandaram para a lata do lixo uma constituição extremista que propunha a tomada da nação por estatizantes e divisionistas do país.
A agenda do governo de Gabriel Boric foi para o espaço e já na terça-feira, 6, ele teve que reformar seu ministério, colocando velhos e experientes socialistas na administração. Desfez-se o sonho do presidente de 36 anos que chegou ao poder depois de manifestações violentas de estudantes em Santiago e contando com a nova constituição.
Agora, ele tem que refazer os planos e moderar o discurso, pois os problemas sociais e econômicos do Chile continuam os mesmos que só num passe de mágica os constituintes da esquerda iriam resolver.
Ontem, 7 de Setembro, na celebração dos 200 anos de Independência do Brasil, novamente o povo se pronunciou com a sua eloquente presença – mais de 2 milhões de pessoas em todo o País – atendendo à convocação do presidente Bolsonaro, que discursou em Brasília e Rio de Janeiro.
Depois das funções oficiais da Presidência no desfile militar em Brasília, o presidente tirou a faixa e rasgou o verbo como candidato à reeleição. Diferente do que disse no ano passado, Bolsonaro não fez críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal. Destacou, contudo, que quer trazer aqueles que não respeitam a Carta Magna “para dentro das quatro linhas da Constituição”.
E Bolsonaro sendo Bolsonaro não podia deixar de fora metáforas de ordem sexual, referindo-se a sua “qualidade de imbrochável”, o que fez a festa da extrema imprensa de oposição e das candidatas mulheres à Presidência, que o classificaram de machista, diante da impossibilidade de questionamentos políticos ou administrativos.
No Rio, para uma multidão de cariocas, o presidente atacou seu principal adversário na disputa. Chamou o candidato do PT de “quadrilheiro” e disse que “esse tipo de gente tem que ser extirpada da vida pública”.
“Compare o Brasil com os países da América do Sul. Compare com a Venezuela. Compare com o que está acontecendo na Argentina e compare com a Nicarágua. O que têm em comum esses países? Todos são amigos entre si”.
“Todos os chefes de Estado dessas nações são amigos do quadrilheiro de nove dedos que disputa a eleição no Brasil. Não é voltar apenas à cena do crime. Esse tipo de gente tem que ser extirpada da vida pública”, declarou em cima de um carro de som, como registrou a CNN Brasil.
Segundo a Jovem Pan News, aliados e integrantes da campanha do presidente Jair Bolsonaro à reeleição comemoraram a adesão aos atos do feriado de 7 de setembro em Brasília, Rio, São Paulo, Minas Gerais e outros Estados.
Este grupo avaliou que a expressiva presença de apoiadores nas ruas é uma “demonstração de força eleitoral” do chefe do Executivo federal a menos de 30 dias do primeiro turno da eleição presidencial. A cúpula do Partido Liberal (PL), inclusive, acredita que o mandatário pode ter criado um “fato novo”, capaz de mobilizar os apoiadores e melhorar seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
Por outro lado, coordenadores da campanha do ex-presidente Lula (PT) ouvidos pela Jovem Pan News afirmaram que o presidente “falou para a bolha”. No conjunto da obra, disseram, Bolsonaro não conquista dividendos eleitorais e pode, inclusive, afastar eleitores de Centro.
Para os apoiadores do presidente, o eleitor aguardava esse embate. “O foco tem que ser em seu principal adversário político e deixar de lado os outros atores. Não temos mais tempo. E esse confronto com o PT influencia o voto do indeciso”, acreditam.
Como toda eleição, uma surpresa no resultado do 1º ou 2º turno faz parte do processo eleitoral. Mas é bom pensar que o povo nas ruas, como no Chile e no Brasil, move montanhas e supera dificuldades. A ver. É isso.
Por: Antonio Magalhães – Jornalista




