FALTA DE INVESTIMENTO DO GOVERNO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA AFETA A SAÚDE DAS CRIANÇAS

Veja/ Balanço Social

No Brasil, a média dos indicadores relacionados à saúde na primeira infância esconde desigualdades regionais e locais brutais. Centenas de milhares de meninos e meninas vêm sendo constantemente deixados para trás. “Tem havido avanços significativos nos últimos anos, mas todos insuficientes”, alertou o médico Halim Antonio Girade, coordenador do Comitê Técnico da Primeira Infância do Instituto Rui Barbosa (IRB).

Segundo explicou, a taxa de mortalidade na infância, no Brasil, por exemplo, é de 15 óbitos de crianças antes dos 5 anos para cada mil nascidos vivos – o dobro e, às vezes, até o triplo da de países desenvolvidos. “Isso é incompatível com o Brasil ser a 11ª economia do mundo. Sinal evidente de desigualdade”, afirmou.

Em cinco estados (Acre, Amazonas, Sergipe, Amapá e Roraima) o cenário é ainda mais grave, com mais de 20 óbitos de crianças com menos de 5 anos para cada mil nascidos vivos. “Quase se determina quem vai ter maior probabilidade de viver ou morrer em função de onde nasceu”, lamentou o especialista.

A sorte depende não apenas do Estado em que a criança nasce, mas também do lugar. ““Temos estudos de dois anos atrás em que famílias da periferia de São Paulo relatam que as crianças tiveram que abandonar a educação infantil por conta de seguidos episódios de diarreia”, exemplificou Halim. Quase 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto.

De acordo com os dados mais recentes do Painel do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, 52.872 crianças de 0 a 4 anos foram internadas no Brasil por problemas de saúde relacionados ao saneamento básico. Criança doente não vai para a escola. O saneamento inadequado também afeta a educação. Segundo dados, quatro a cada 10 crianças brasileiras de até seis anos se afastam de e creches, escolas e atividades sociais por falta de saneamento.

Em números absolutos, são 6,6 milhões de crianças, número equivalente a população do Paraguai. Para o médico, por conta das eleições, esse é um ano extremamente importante para cobrar dos candidatos à presidência e aos governos estaduais e do Distrito Federal compromissos mensuráveis com a saúde na primeira infância. Na prática, esse pacto não existe mais. As crianças do país merecem esse esforço”. pontuou.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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