FERNANDA RESENDE ESCLARECE SOBRE DIREITO DA MULHER VÍTIMA DE GORDOFOBIA

A questão “gordofobia” e a hostilidade às mulheres acima do peso, – que acabam sendo vítimas em seus relacionamentos dentro da própria casa, pelos maridos ou companheiros – foi tema de debate entre vereadores e sociedade civil, semana anterior, na Câmara Municipal do Recife – CMR.

Pessoas gordas recebem tratamento hostil a vida toda. A gordofobia se manifesta não apenas nas práticas de bullying, durante a infância e adolescência, mas também pela negligência do poder público, quanto à ausência de políticas estratégicas inclusivas.

O estereótipo de uma pessoa não pode diminuir os seus direitos enquanto cidadã. A falta de carteiras escolares adequadas, de espaços nos transportes públicos e até mesmo de uma máquina para realização de exames médicos, são exemplos de como a ausência de planejamento governamental contribui silenciosamente para disseminar a discriminação.

De acordo com a advogada, professora e mestra em Direito Fernanda Resende, nos relacionamentos domésticos, também há gordofobia. É um tipo de violência que acomete muitas mulheres que, com o avançar da idade, não conseguem mais manter o corpo da juventude.

“É fundamental difundir que, qualquer ato familiar que diminua a autoestima, ridicularize, cause dano emocional ou prejudique o pleno desenvolvimento da mulher, é considerado uma espécie de violência psicológica combatida pela Lei Maria da Penha”, esclarece .

Segundo a Jurista, essa prática ocorre em muitos lares. “Pode acontecer nas diversas classes sociais e as consequências são as mais diversas”, confirmando que percebe essa situação, durante os atendimentos em seu escritório de advocacia. São mulheres, vítimas dos próprios maridos ou companheiros e que, ao serem frequentemente humilhadas vão perdendo sua autoestima e saúde psicológica.

“Sem saber que essa prática é proibida por lei elas passam a acreditar que são inferiores e os efeitos psicológicos de quem sofre gordofobia marcam profundamente”, a pessoa avalia a Advogada.

PESQUISA

Os números mostram os reflexos dessa violência contra a mulher. De acordo com levantamento do Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado na última segunda-feira (07) – uma em cada quatro mulheres já foi vítima de algum tipo de violência, no Brasil, neste período de pandemia,

Entre as mulheres pesquisadas neste tipo de violência, 18,6% disseram que foram ofendidas verbalmente. Com agressões dentro de casa, o número de casos aumentou: passou de 42% para 48,8%, na comparação com o estudo anterior.

PROJETO DE LEI

Projeto de Lei – PL voltado para a questão foi amplamente conversado, em audiência pública, na última quarta-feira, na Casa de José Mariano, onde tramitam três proposições envolvendo o tema. Entre as quais, o PLO 35/2021, que visa instituir o 10 de setembro como o Dia Municipal de Luta Contra a Gordofobia no Recife.

A intenção é chamar a atenção da sociedade para a necessidade de formulação de políticas públicas mais inclusivas. Com palavras, olhares, gestos e práticas, as pessoas vão perdendo a autoestima e saúde psicológica, sem saber que essa atitudes é proibida por lei.

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