Blog da Folha
O anúncio do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 – conhecido como “taxa das blusinhas”, provocou reação imediata de lideranças políticas ligadas ao Polo de Confecções do Agreste pernambucano – um dos maiores centros têxteis do País.
Parlamentares e gestores da região afirmam que a decisão amplia a concorrência com produtos estrangeiros e pode impactar diretamente a cadeia produtiva local. A medida, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), será formalizada por meio de Medida Provisória e extingue a cobrança de 20% do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas no programa Remessa Conforme.
A cobrança havia sido implementada em agosto de 2024, após pressão de segmentos da indústria nacional e do varejo, que defendiam igualdade tributária entre produtos nacionais e importados vendidos em plataformas digitais. O deputado estadual Edson Vieira (Pode) e ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, criticou a decisão do governo Lula e afirmou que a medida preocupa especialmente o Polo de Confecções do Agreste, setor responsável pela geração de emprego e renda na região.
“Sou totalmente contra essa decisão. Retirar essa taxação sem ouvir o setor é aumentar a concorrência, de forma desleal, com produtos de fora e prejudicar quem produz aqui, gera renda e sustenta nossa economia”, afirmou o parlamentar.
Segundo Vieira, o Polo de Confecções é um dos principais motores econômicos de Pernambuco e qualquer medida que impacte a produção local deveria ser debatida com representantes do setor. Como resposta ao anúncio do governo Lula, o deputado informou que protocolou uma audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

A audiência está marcada para o próximo dia 26, quando será discutido os impactos da decisão. Ainda de acordo com o parlamentar, o momento exige mobilização de empresários, comerciantes, trabalhadores e representantes públicos em defesa dos empregos e da atividade econômica do Agreste pernambucano.
Em Toritama, cidade conhecida nacionalmente pela produção de jeans, o prefeito Sérgio Colin (PP) classificou o fim da taxação como “um absurdo” e “um retrocesso” para a indústria nacional. Segundo ele, a medida prejudica diretamente o Polo de Confecções do Agreste, responsável por grande parte da produção têxtil da região.
“Isso é um absurdo, um retrocesso! O governo federal, às vésperas da eleição, vem com mais uma medida populista que ataca diretamente a indústria e o varejo nacional”, declarou. O prefeito também afirmou que o fim da cobrança favorece produtos importados em detrimento da produção local e citou o impacto econômico do setor para Pernambuco.
Segundo o gestor municipal, o Polo de Confecções do Agreste produz mais de 800 milhões de peças anualmente e sustenta milhares de trabalhadores da cadeia têxtil. “Essa é uma medida desleal, que vai prejudicar e muito o andamento da nossa região e do nosso país”, pontuou.
O prefeito também mencionou preocupação com uma possível taxação sobre a importação de malhas, matéria-prima utilizada pelas indústrias locais. Segundo ele, parte significativa do insumo usado pelo Polo vem da China, o que poderia aumentar os custos da cadeia produtiva regional.
“Com isso os grandes empresários vão preferir importar a peça pronta já da China, nossa produção vai despencar. E o que vão fazer as nossas costureiras e costureiros que trabalham diariamente produzindo mais de 800 milhões de peças anualmente”? Questionou.
Fotos – Divulgação




