Papa Francisco morreu na madrugada desta segunda-feira (21), no Vaticano, aos 88 anos. O pontífice foi o 2º líder mais velho a governar a Igreja Católica em 700 anos. Com a saúde debilitada, sofria de problemas respiratórios. Foi internado em 14 de fevereiro no hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma, na Itália, para tratar uma bronquite, mas exames revelaram uma pneumonia bilateral.
O religioso teve alta no dia 23 de março e estava em recuperação. Sua última aparição pública aconteceu neste domingo domingo (20) na benção de Páscoa. Sua morte foi confirmada pelo Vaticano. O anúncio ocorreu, na Capela da Casa Santa Marta, com as seguintes palavras: “Às 7h35 desta manhã [2h35 de Brasília], o bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja.
Argentino, nascido na cidade de Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936, Jorge Mario Bergoglio foi diagnosticado com pneumonia dupla no início de fevereiro de 2025. Em 2023, Francisco já havia passado três dias hospitalizado para tratar uma bronquite. Em março de 2024, não conseguiu ler o seu discurso durante uma cerimônia no Vaticano.
Em 17 de fevereiro, o Vaticano informou que o pontífice enfrentava um quadro clínico complexo. Resultados de exames indicaram que a bronquite havia evoluído para uma infecção polimicrobiana do trato respiratório. No dia 22 de fevereiro, o Vaticano afirmou que Francisco enfrentou uma crise prolongada de asma e precisou passar por uma transfusão de sangue e que ele “não estava fora de perigo”.
Os exames realizados mostraram plaquetopenia (diminuição do número de plaquetas no sangue) associada à anemia, o que levou à necessidade da transfusão. “O Santo Padre continua vigilante e passou o dia na poltrona, embora mais debilitado do que ontem”, informou.
Na tarde do dia seguinte, 23 de fevereiro, apesar do quadro crítico, Francisco apresentou melhoras e não teve novas crises respiratórias desde a noite anterior. Ele manteve terapia com oxigênio de alto fluxo por meio de cânulas nasais. Os exames, no entanto, apontaram insuficiência renal inicial leve, que, segundo os médicos, estava sob controle.

Já em 24 de fevereiro, o Vaticano informou que o Papa seguia fazendo terapia com oxigênio de alto fluxo por meio de cânulas nasais para ajudar na respiração. No mesmo dia, o líder mundial da Igreja Católica teve uma “leve melhora”, recebeu a Eucaristia e, à tarde, retomou suas atividades de trabalho. Fiéis realizaram uma vigília de oração pelo pontífice na Praça São Pedro, no Vaticano.
ÚLTIMAS PALAVRAS
O Papa Francisco teve alta em 23 de março e iniciou um período de recuperação no Vaticano. No domingo (20.abr.2025), fez uma aparição na varanda da Basílica de São Pedro, durante a celebração da Páscoa no Vaticano.
Na cadeira de rodas e com dificuldades para falar, o sumo pontífice desejou aos “queridos irmãos e irmãs” uma “feliz Páscoa”. Em seguida, ele passou a palavra para o mestre de cerimônias, o monsenhor Diego Giovanni Ravelli, que leu a mensagem “Urbi et Orbi” (“à cidade [de Roma] e ao mundo”) do papa. Ao final, fez a bênção diante dos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro.
Em um trecho, do texto, o Papa declarou: ” A esperança trazida pela Páscoa não é um sentimento alienante, mas de responsabilidade” . O sumo pontífice lamentou a violência não só nos países, mas também nas famílias – “dirigida às mulheres e às crianças” – bem como o desprezo pelos fracos, marginalizados e imigrantes.
“Gostaria que voltássemos a ter confiança nos outros, mesmo naqueles que não nos são próximos ou que vêm de terras distantes, com modos de vida, ideias e costumes diferentes dos que nos são familiares”, disse.
A ESCOLHA DE PAPA FRANCISCO
Em 13 de março de 2013, a Igreja Católica elegeu o cardeal Jorge Mario Bergoglio, de Buenos Aires, como o 266º papa da história da Igreja. O argentino, que assumiu o nome de papa Francisco, foi escolhido por um conclave de 115 cardeais, após a renúncia de Bento 16, que fez história ao ser o primeiro papa a abdicar do cargo em mais de 600 anos.
A escolha de Bergoglio surpreendeu muitos analistas e observadores, que esperavam uma indicação de um cardeal europeu para suceder o papa Bento 16. Contudo, o cardeal argentino foi escolhido por sua postura conservadora, seu trabalho pastoral focado nos pobres e em um estilo de liderança simples.

Bergoglio, que se tornou o primeiro papa latino-americano e jesuíta da história, assumiu um compromisso com uma Igreja mais próxima dos mais necessitados e uma gestão baseada na humildade. Seu discurso inaugural enfatizou a importância da misericórdia e do serviço, buscando representar uma renovação no coração da Igreja, em meio a um cenário global de desafios, como os escândalos de abuso sexual e a crescente secularização.
O PAPA E O BRASIL
O papa Francisco manteve uma relação próxima com o Brasil, abordando temas como meio ambiente, desigualdade social e democracia. Desde o início de seu pontificado, em 2013, ele tem feito declarações sobre a situação política e social do país, além de destacar a importância da proteção da Amazônia. O Brasil tem a maior população católica do mundo.
De acordo com o Anuário Pontifício de 2023, que tem o dado mais recente sobre o tema, o País tem aproximadamente 180 milhões de católicos, consolidando-se como o que tem o maior número de fiéis batizados no mundo. O Vaticano acompanha de perto questões sociais, políticas e ambientais do Brasil, além de promover visitas e e reconhecer santos brasileiros.
Francisco esteve o Brasil como destino de sua primeria viagem internacional, depois que assumiu o comando da Igreja Católica. O pontífice veio ao país para participar da 28ª Jornada Mundial da Juventude, encontro de jovens católicos realizado no Rio de Janeiro em julho de 2013. “Deus quis que minha primeira viagem fosse ao Brasil”, disse o papa à época em uma recepção no Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro, com a presença da então presidente Dilma Rousseff (PT)….
Foto: Vaticano News




