Conteúdo Estadão – Operação Trapiche, da Polícia Federal (PF), que prendeu, na última quarta-feira, duas pessoas suspeitas de planejar atentados terroristas contra alvos judaicos no Brasil, está provocando uma crise entre o governo brasileiro e Israel, com reflexos na política interna.
Segundo a PF, os alvos da operação tinham ligação com o grupo político e paramilitar Hezbollah, sediado no Líbano e ativo na Cisjordânia. Um dos indivíduos presos teria admitido que participava do recrutamento de pessoas para o Hezbollah.
Conforme relatórios da PF e de grupos de inteligência, o Hezbollah teria laços com a comunidade de imigrantes libaneses e seus descendentes, principalmente da região da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
O descontentamento de integrantes do governo Lula com Israel e seus emissários já vinha de alguns dias, em virtude da demora na retirada dos 34 brasileiros que querem deixar a Faixa de Gaza – esta parte tende a se resolver com a retirada do grupo, que deve ocorrer hoje – agravou-se por causa de dois eventos ocorridos esta semana.
O primeiro foi o comunicado do gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que atribui ao serviço secreto do país, o Mossad, parte do mérito pela operação.
O segundo a entrevista do embaixador israelense em Brasília, Daniel Zonshine, ao jornal O Globo, onde afirma que “o interesse do Hezbollah em qualquer lugar do mundo é matar os judeus” e que, “se escolheram o Brasil, é porque tem gente que os ajuda”. Entre políticos da direita, é comum o discurso de que o governo Lula é aliado de grupos como Hamas e Hezbollah.
A resposta, ao comunicado de Netanyahu, veio do ministro da Justiça, Flávio Dino. Nenhuma força estrangeira manda na Polícia Federal. O Brasil é um país [soberano], escreveu Dino, na rede social X. A cooperação jurídica e policial existe de modo amplo, com países de diferentes matizes ideológicas, tendo como base os acordos internacionais”, afirmou.
CRÍTICAS A OFENSIVA DE ISRAEL
Em Paris, onde participa da Conferência de Ajuda Humanitária, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, ex-chanceler Celso Amorim, também deu declarações críticas à ofensiva militar de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza o que acresceu o desgaste.
“Eu reitero a condenação do Brasil dos ataques terroristas contra os israelenses e a tomada de reféns. No entanto, atos bárbaros como esses não justificam o uso indiscriminado da força contra civis”, disse Amorim em discurso em inglês. “A morte de milhares de crianças é chocante. A palavra genocídio inevitavelmente vem à mente”.
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