Território Agroecológico do Hospital da Mulher do Recife, no Bairro do Curado, completa um ano como um dos principais exemplos do projeto Muvuka – iniciativa da Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana (SEAU), que integra agroecologia, saúde mental e humanização do cuidado.
A ação ressignificou uma área antes ociosa, que durante a pandemia chegou a abrigar os corpos das vítimas da Covid-19 – em um ambiente de produção de alimentos, convivência, acolhimento e promoção da saúde. Mais do que um espaço de cultivo, o território se consolidou como uma experiência prática de como a agricultura urbana pode fortalecer o cuidado preventivo, a recuperação de pacientes e a qualidade de vida de trabalhadores da saúde.
O espaço reúne atualmente mais de 70 espécies entre plantas medicinais, frutíferas e aromáticas e integra atividades terapêuticas, educativas e de alimentação saudável. A iniciativa nasceu a partir de um encontro de ideias durante o Seminário de Práticas Exitosas da Saúde, realizado no Novo Porto Recife, quando experiências apresentadas pela SEAU despertaram o interesse da direção do Hospital da Mulher do Recife.
A partir desse diálogo, o território começou a ser implantado no segundo semestre de 2025, por meio de mutirões e trabalho coletivo envolvendo profissionais da unidade e técnicos da secretaria. Para Nathalia Mesquita, superintendente de Agricultura Urbana do Recife, a marca de um ano representa a consolidação de uma nova relação entre o espaço, as pessoas e o cuidado.
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
“Completar um ano desse módulo agroflorestal é muito importante pra nós. Um equipamento tão importante pra cidade, para a saúde e, em especial, para as mulheres da cidade do Recife, que são atendidas no hospital. Um ano ressignificando a história desse lugar, fortalecendo a conexão das pessoas que trabalham no Hospital da Mulher, pacientes, com o território agroecológico”, destacou.
O local também passou a integrar a rotina hospitalar. Além da produção de alimentos consumidos por pacientes e funcionários, o espaço incorpora soluções agroecológicas, como o ciclo de bananeiras, contribuindo para melhorias ambientais e estruturais da unidade.
Toda a produção cultivada no local é utilizada pelos próprios pacientes e funcionários, fortalecendo práticas de alimentação saudável, contribuindo diretamente para a recuperação e criando uma relação ativa com o território.
Na prática, o território funciona como um espaço de cuidado. Para os trabalhadores, tornou-se um refúgio, ambiente de descanso e convivência, dentro da rotina hospitalar. Para as pacientes, especialmente aquelas em internação prolongada, o local passou a integrar ações de humanização. Na UTI da Mulher, por exemplo, as pacientes em recuperação, seguindo protocolos de segurança, realizam passeios na horta acompanhadas pela equipe de fisioterapia.
Foto: Sidarta Borges e Tiago Salgueiro/ Prefeitura do Recife



