Deputada estadual Priscila Krause e o vereador do Recife, Alcides Cardoso, ambos do DEM, se reuniram, na manhã desta quarta-feira (08), com o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) Carlos Porto – relator das contas da Secretaria de Saúde do Recife, em 2021
Eles protocolaram representação solicitando providências por parte da Corte de Contas, a respeito da sobra de estoque de matérias médicos usados nos leitos Covid-19, herdado da gestão anterior, do então prefeito Geraldo Julio (PSB).
Parlamentares cobram uma postura do prefeito João Campos (PSB). Já existe no TCE-PE uma auditoria em andamento sobre a gestão de estoques da Secretaria de Saúde da capital pernambucana.
De acordo com o ofício apresentado, baseado em dados do estoque da própria Prefeitura em 10 de agosto de 2021, existem parados R$ 18,5 milhões de insumos comprados emergencialmente em 2020.
Para os parlamentares, “é inadmissível que o governo João Campos não tome atitudes em relação ao estoque em excesso, que poderá inclusive perder a validade, enquanto há materiais da Atenção Básica faltando nos postos de saúde.
“Nós tivemos acesso ao relatório atualizado de estoque da Secretaria de Saúde e o que consta é que a cidade ainda tem alguns materiais suficientes para algumas décadas ou até mesmo séculos, como é o caso das cânulas de traqueostomia”.
Além de ser fundamental que os responsáveis por essas compras mal-assombradas, superdimensionadas e superfaturadas, sejam responsabilizados, não podemos aceitar que os materiais fiquem inutilizados enquanto faltam insumos básicos para exames ginecológicos, por exemplo”.
“Nossa proposta é que se viabilize a devolução dos materiais, com o recebimento dos recursos, ou até se realize a troca com hospitais privados por materiais de fato necessários”, registra Priscila Krause. “Se não fazem isso, ficamos pensando se o material existe mesmo ou se tem qualidade mínima para uso”, complementou.
Desde o início do ano, o governo João Campos já repassou ao Governo de Pernambuco mais de R$ 9 milhões em insumos médicos, sem contrapartida para a Prefeitura.
Segundo o vereador Alcides Cardoso, diante de todas as dificuldades da rede municipal de saúde – permitir que fiquem inutilizados mais de R$ 18 milhões em materiais desnecessários à rede – é uma afronta do prefeito João Campos perante a comunidade mais necessitada.
“Se reclama muito da escassez de recursos, mas com R$ 18 milhões a Prefeitura compraria cento e oitenta ambulâncias do Samu ou bancaria metade do hospital infantil prometido na campanha”.
“Não podemos aceitar que simplesmente desovem os materiais no governo de Pernambuco sem uma contrapartida para o povo do Recife”, desabafou.
Na lista de materiais que constariam no estoque estão, por exemplo, 18,4 mil cânulas de traqueostomia, 1,7 milhão de seringas sem agulha, 149,8 mil tubos endotraqueais e 633 mil torneiras de três vias.
Conforme os dados da própria Prefeitura referentes à média mensal de consumo, as quase vinte mil cânulas seriam suficientes para o consumo de 382 anos, enquanto os 149,8 mil tubos endotraqueais abasteceriam a rede por 57 anos e seis meses.




