O MIMO está de volta à Olinda, onde nasceu, celebrando a música em sua 16ª edição na cidade. Após sete anos de ausência, o festival acontece a partir deste domingo (12) e segue até terça-fera (14) com uma programação multicultural e gratuita, reunindo grandes nomes da música instrumental, além de artistas consagrados e novos talentos.
Depois de passar pelo Rio de Janeiro, Amarante (Portugal) e pela França, no prestigiado Jazz in Marciac, o evento ocupa novamente ruas, igrejas e praças de sua cidade-mãe. Idealizado por Lu Araújo, que também assina a direção artística, o MIMO Festival em Olinda terá mais de 40 atrações, incluindo shows, concertos, DJs sets, exibição de filmes, fórum de ideias e aulas no programa educativo.
Uma das novidades será a apresentação de artistas da cena musical francesa, presentes na curadoria feita pelo conceituado Jazz in Marciac, um dos maiores festivais de jazz do mundo, para o MIMO Olinda. A parceria com o evento francês faz parte de uma colaboração artística inédita. Assim como brasileiros renomados estiveram na França, músicos franceses estarão no MIMO Olinda, estreitando ainda mais os laços culturais entre os dois países.
“Com mais de dois milhões de espectadores no Brasil e em Portugal, o MIMO retorna a Olinda com o mesmo entusiasmo de sempre. Foi aqui que o festival ganhou corpo, se consolidou e criou asas. Realizar um evento gratuito dessa dimensão é um ato de resistência e compromisso com a cultura. Acreditamos na arte como ferramenta de transformação social e, é isso que nos move a seguir em frente”, afirmou Lu Araújo.
A programação transcultural inclui concertos e DJ sets com artistas de seis nacionalidades: Brasil, França, Ilha da Reunião (território francês na costa da África), Portugal, Espanha e Cuba. Apresentações acontecem não só nos palcos, mas também nas ruas, parques, igrejas, e recantos da cidade, em um verdadeiro mergulho sensorial e comunitário.
Entre os destaques nacionais, o MIMO Olinda recebe o consagrado Edu Lobo, um dos maiores nomes da música brasileira, que faz um concerto na Igreja da Sé, celebrando suas raízes pernambucanas em momento de rara emoção. Já Amaro Freitas, vencedor do Prêmio MIMO Instrumental em 2015 e hoje celebrado nos mais importantes palcos internacionais, será responsável pelo último concerto do festival. Na Praça do Carmo, o pianista pernambucano se apresenta ao lado de seu septeto.

Ícone da música pernambucana, o Cordel do Fogo Encantado retorna aos palcos após um hiato, com sua formação original, em um reencontro aguardado pelo público. Ainda entre os brasileiros em destaque, estão Juliana Linhares, nome em ascensão da MPB, e Hamilton de Holanda, consagrado mestre do bandolim, que reforçam a diversidade da programação.
Com presença marcante e vocais que evocam ancestralidade, Votia conduz o público a um encontro intenso com a força e a vitalidade de sua tradição musical, acompanhada por coros polifônicos e percussões tradicionais.
Nascido do encontro entre tradição e resistência, o trio Delgrès — liderado pelo guitarrista e cantor Pascal Danaë, filho de pais de Guadalupe — aposta na ideia de que a diáspora afro-caribenha ajudou a moldar o blues. Seu som mistura força e atualidade, em um blues crioulo temperado pelo rock. A banda se apresenta no Palco da Praça do Carmo.
Ainda da França, chegam artistas da nova geração, todos premiados e com trajetórias distintas que formam um verdadeiro mosaico da música francesa contemporânea, selecionados em parceria com o Jazz in Marciac. A baterista Anne Paceo, três vezes vencedora do Victoires de la Musique, é referência mundial por sua musicalidade inventiva e sua abordagem transcultural.
O saxofonista Samy Thiébault se destaca por criar pontes entre o jazz, o clássico e as músicas do mundo. Já Baptiste Herbin, virtuose do saxofone, se une ao trompetista Nicolas Gardel em um quarteto que traduz a energia e a sofisticação do novo jazz francês. Os concertos, assim como o DJ Set com Pedro D-Lita Selecta, acontecem em locais históricos e turísticos como a Praça de São Pedro, Seminário de Olinda, Igreja da Sé e Praça do Carmo (palco principal).

Ao longo destes três dias de festival gratuito, o Conservatório Pernambucano de Música e o Convento de São Francisco serão palco dos Workshops Petrobras e do Fórum de Ideias do MIMO, que oferecem rodas de conversas para discussões e reflexões sobre processos criativos e inovadores de artistas que se apresentam no festival. Além dos shows, o MIMO Olinda promove também uma Mostra de Cinema, que será realizada na Igreja da Sé e no Teatro Fernando Santa Cruz.
Apresentado pela Petrobras, com patrocínio da Stone e apoio da Prefeitura de Olinda, do Complexo Industrial Portuário de Suape (PE), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo de Pernambuco e da Companhia Pernambucana de Gás – Copergás, o Projeto do MIMO Olinda é realizado pela Lu Araújo Produções Artísticas com fomento do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023.
Após a realização na cidade pernambucana, o MIMO Festival segue para São Paulo, onde acontece entre os dias 19 a 21 de setembro, encerrando a temporada de 2025.
MIMO FESTIVAL
Com 21 anos de história, o MIMO já realizou 61 edições em mais de 14 cidades do Brasil e da Europa, com um público de mais de 2 milhões de espectadores e com apresentações de 4 mil músicos, como Chick Corea, Herbie Hancock, Buena Vista Social Club, Philip Glass, Pat Metheny, Hermeto Pascoal, Elza Soares, Gilberto Gil, entre outros.
Além disso, o festival já promoveu 1.750 atividades, incluindo 600 shows e concertos, a exibição de 400 filmes brasileiros inéditos e mais de 200 atividades como palestras, literaturas, exposições, premiações além, é claro, da belíssima e tradicional “chuva de poesia”.
“Além dos palcos, o festival exibe produções cinematográficas com temática musical e promove workshops e palestras, conectando artistas e público. Seu Programa Educativo já beneficiou mais de 30 mil alunos com 500 aulas, e o Prêmio MIMO Instrumental revelou talentos como Amaro Freitas e João Camarero.
Foto : Marcos Hermes




