AUMENTO DO IOF ISOLA MINISTRO HADDAD, QUE VIVE SEU PIOR MOMENTO NO GOVERNO LULA

Poder 360

O impasse sobre as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras- IOF isolou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que agora vive seu pior momento no governo. Ele afirmou na quinta-feira (29), que “servir” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é sofrer e ser criticado, mas há dias que recompensam pelo esforço de se manter no cargo.

A declaração em tom de desabafo foi feita durante uma cerimônia de entregas do Programa Terra da Gente, no Estado do Paraná. Os integrantes do PT, já haviam se incomodado com a péssima repercussão na época do “Pixgate”, quando a Receita Federal baixou normas para aumentar a fiscalização sobre movimentações mensais acima de R$ 5.000.

Na época, a Secretaria de Comunicação Social publicou uma nota com posicionamento favorável às mudanças nas regras. Fez uma campanha contra fake news de taxação do Pix. E, apesar da investida, a enxurrada de críticas derrubou a norma do Fisco e este é o mesmo final que está desenhado para o decreto do IOF.

Desta vez, porém, Haddad está sozinho. Não há consenso nem entre pessoas próximas, como é o caso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o número 2 no Ministério da Fazenda, antes de Dario Durigan. O agravante é que, há quatro meses, Haddad havia negado que o governo federal estudava aumentar o IOF no mercado cambial para frear a saída de dólares.

O decreto do IOF que saiu na última semana foi alvo de diversas manifestações do setor empresarial e de agentes do mercado financeiro. Ex-diretor do Banco Central, o economista Tony Volpon defendeu que a medida era um claro “controle cambial”. Haddad derrubou parte do decreto em poucas horas, especificamente sobre a parte que tratava da taxação de remessas para o exterior destinadas a investimentos.

Para evitar solavancos nos ativos financeiros, agendou uma entrevista com jornalistas para explicar que não vê problema em corrigir rota. A reação do Congresso foi tão negativa quanto no setor produtivo. Foi dito nos bastidores que o Executivo cortaria emendas parlamentares para negociar a manutenção do decreto, o que certamente irritou o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

O congressista disse que verá quem está ameaçando e quem está falando a verdade. “O Poder Legislativo não derruba um decreto presidencial há 25 anos. Tudo indica que, se não houver desistência do aumento do IOF, esta será a solução da Câmara e do Senado. O [clima é esse] ”, disse Motta.

O isolamento de Haddad sobre o IOF é evidente, tanto que, o presidente da Câmara questionou a ausência de Lula no debate. “O presidente precisa tomar pé dessa situação”, disse. Desde a publicação do decreto, Lula não falou uma vez sequer sobre o assunto.

Apesar de alguns afagos públicos, como do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, Aloizio Mercadante e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, Haddad ficou isolado com decreto do IOF debaixo do braço. Enquanto isso, Lula silencia desde 22 de maio.

Foto: Adriano Machado/Reuters

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