Governo de Pernambuco diplomou, nesta segunda-feira (17), dez novos Patrimônios Vivos do Estado, ampliando para 125 o número de titulados ligados às mais diversas manifestações culturais. A cerimônia, realizada no Cinema São Luiz, marcou a abertura da 19ª Semana Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural de Pernambuco, promovida pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e pela Secretaria de Cultura (Secult).
Evento contou com a presença dos novos titulados, que celebraram a conquista com cantos e batuques e relembraram as trajetórias que os levaram ao reconhecimento. “Hoje é um daqueles dias que nos lembram por que trabalhar pela cultura de Pernambuco é tão especial. Estamos reconhecendo vidas inteiras dedicadas a preservar aquilo que somos”.
” São mestres, mestras, famílias, grupos e comunidades que aprenderam com quem veio antes e assumiram a missão de ensinar a quem vem depois. São saberes que, muitas vezes, não estão escritos nos livros”, pontuou a secretária de Cultura de Pernambuco em exercício, Ana Paula Jardim. O número de inscrições nesta edição bateu recorde, com 205 candidaturas.
Foram diplomados os seguintes mestres, mestras e grupos: Mestre Zé Negão (coco), Barracão de Mãe Nadja (candomblé), Escola de Samba Preto Velho, Família Vitalino (artesanato em barro), Juliana Pankararu (parteira e benzedeira), Maracatu de Baque Solto Cruzeiro do Forte, Mestra Di (capoeira), Mestre João Paulo (maracatu rural), Teco de Agamenon (artesanato e brincante ligado aos Caretas) e Terreiro de Mãe Amara (candomblé).
Os escolhidos passaram por um processo seletivo que envolve, entre outras etapas, defesa oral, documentação e comprovação de trabalhos de transmissão de saberes. Eles são eleitos pelos integrantes do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).
“Quando estávamos no Museu do Estado ouvindo cada um dos candidatos, vimos que cada um não é sozinho, cada um vem com a sua família, cada um vem representando a sua comunidade. Porque o patrimônio traz a sua ancestralidade, ele traz a sua comunidade, ele traz as suas raízes”, afirmou o presidente do CEPPC, Antiógenes Viana.
Os novos Patrimônios Vivos receberão uma bolsa vitalícia e deverão participar de ações de formação e difusão da cultura popular de Pernambuco. Para os grupos, o valor da bolsa é de R$ 4.958,85; para os indivíduos (mestres e mestras), de R$ 2.479,41.
“Trabalhamos muito há anos, atuamos muitas vezes como psicólogos, parteiras, médicos, de tudo um pouco, para a nossa comunidade. Peço que esse prêmio seja entendido como algo dado a todos os terreiros”, declarou emocionada Mametu Nadja, do Barracão de Mãe Nadja. O terreiro, localizado no Ibura, foi o segundo a receber o diploma de Patrimônio Vivo.
A história narrada por Mametu Nadja – de muito trabalho, envolvimento comunitário, transmissão de saberes e superação de dificuldades diversas – se repetiu, com variações, nos discursos dos demais vencedores. “Venho de um lugar que costuma ser visto como difícil – mas difícil pra quem?”, questionou Mestra Di, primeira capoeirista a ser reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco, com trabalho no Alto do Monte, no Sítio Histórico de Olinda.
MAIS PRÊMIOS – Além da diplomação dos novos Patrimônios Vivos, a abertura da 19ª Semana Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural também celebrou os vencedores do 11º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho, que reconhece iniciativas de preservação e transmissão do patrimônio cultural pernambucano. Ao todo, foram concedidos R$ 90 mil a seis vencedores, sendo três primeiros e três segundos lugares.
Na categoria Formação, foram premiados: Francisco Amancio da Silva (Maestro Forró), com a Escola Comunitária de Música da Bomba do Hemetério, em primeiro lugar e José Allan da Silva, com o projeto “O Brilho da Oxum”, em segundo. Em Promoção e Difusão, Raryson Fulni-Ô conquistou o primeiro lugar com o podcast “Yak’ Shalá”, enquanto Matheus Rodrigues de Souza foi premiado com o projeto “Mepedigital”.
Já na categoria Acervos Documentais e Memória Cultural, Barmonte ficou em primeiro lugar, com o site “Oqqbuiquetem”, e Rebeca Rocha Novaes Silva foi premiada com o projeto “Resgate do Cine Recreio: o cinema de rua que vive na memória coletiva florestana”. Na ocasião, também foi lançada a revista Aurora 463, publicação digital e gratuita que reúne as discussões realizadas durante a edição de 2025 da Semana do Patrimônio e estará disponível ao público nos próximos dias.
“A Semana do Patrimônio é um evento consolidado de celebração e reflexão sobre o patrimônio cultural do Estado em suas diversas fases, e neste ano ocorre em 22 municípios do Estado”, sintetizou o coordenador-geral do evento, Flávio Barbosa, também gerente de Educação Patrimonial da Fundarpe. O evento segue até a próxima sexta-feira (21) e a programação completa pode ser conferida em: https://www.even3.com.br/19-semana-do-patrimonio-pernambuco-761257/.
Foto: Silla Cadengue/Fundarpe




