MONTANHAS DA JAQUEIRA – “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, antevejo esta alvorada no seu grande destino.” Assim falou o visionário presidente Juscelino Kubitschek ao antever um futuro radiante neste reino tropical.
A alma de Kubitschek vinha das montanhas de Minas Gerais e quem vive nas montanhas sonha com castelos, por isso ele resolveu construir castelos em Brasília. JK concretizou o sonho vintage de Dom Bosco em meados do século 19. O Dom, reitor-mor Congregação Salesiana e proclamado Santo em 1934, hoje é o padroeiro da cidade.
No advento da República, tempos de 1896-1897, um cara místico chamado Antônio Conselheiro fundou o Arraial de Canudos, no Sertão Norte da Bahia, para onde convergiram camponeses famélicos e flagelados da seca na esperança de amparo espiritual e de mitigar a fome. Não havia impostos.
Os senhores da guerra foram lá, mataram, degolaram e trucidaram mais de 20 mil jagunços, em nome da ordem republicana. Executaram a “gravata vermelha”, ao decepar a cabeça do Conselheiro e seus adeptos. Foi uma das maiores carnificinas da história do Brazil. E a paz voltar a reinar na República.
O Arraial de Canudos seria a Brasília dos pés-rapados, dos deserdados e da “ninguenzada”. JK foi o Imperador da Alvorada brasileira. Todo brasileiro é José. Toda brasileira é Maria, abençoados por São José e a Santa Maria.
Somos todos Severinos e Josés neste latifúndio. Todo brasileiro é José. Toda brasileira é Maria, abençoados por São José e a Santa Maria. Somos todos Severinos e Josés neste latifúndio.
É Zé Newma, Zé Pinto, Zé Magno, Zé Tonico, Zé Agra, Zé Nivaldo, Zé Paulo, Zé Cavalcante, Zé Sarney, Zé Joca, Zé Serra, Zé Dagoberto, Zé Francisco, Zé Joaquim da Silva Xavier, Zé Múcio, Zé Araújo, Seu Zé, Dona Maria, “vindos lá da Serra da Costela, limites da Paraíba”, como disse o nosso irmão o poeta Zé João Cabral, neto de Seu Cabral de Melo.
A “gente somos” da família dos primatas, somos primos dos Chipan-Zés, segundo o professor Charles Darwin. Eu sou um Zé lá da Parahyba, cidade pequena, porém descente, nascido no bucho da Serra da Borborema, terra do poeta Zé Augusto dos Anjos, do magistral Zé Limeira, do ritmista Zé Gomes Filho (Jackson do Pandeiro), “desconjuro com tanto Zé/ como tem Zé lá na Paraíba”. Hasta la vista, leitores Magnaneanos Zés e Marias!
Por: José Adalberto Ribeiro – Jornalista




