A implantação da nova Escola de Sargentos do Exército, em Pernambuco reacende uma discussão que ultrapassa a importância econômica e estratégica do empreendimento: como conciliar desenvolvimento, novos investimentos e preservação ambiental.
O advogado, professor e candidato a deputado federal Mauricio Rands (Avante) defende a revisão da localização das estruturas que impliquem supressão de Mata Atlântica na Área de Proteção Ambiental Aldeia-Beberibe, na Região Metropolitana do Recife. A preocupação encontra respaldo na importância ambiental da região.
Criada em 2010, a APA Aldeia-Beberibe possui mais de 31,6 mil hectares, está inserida no bioma Mata Atlântica e alcança oito municípios. Segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), a unidade foi criada justamente para proteger recursos hídricos e espécies raras e ameaçadas da fauna e da flora, além de promover o uso sustentável do território.
O projeto da Escola de Sargentos prevê a implantação do complexo no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti. Ao longo dos últimos anos, mudanças reduziram a área prevista para supressão vegetal. Em audiência na Assembleia Legislativa, em 2023, representantes do Exército falavam em cerca de 130 hectares.
Documentos e estudos mais recentes fazem referência a aproximadamente 94 hectares dentro da área protegida. A construção vem sendo acompanhada e debatida por órgãos ambientais, Ministério Público, pesquisadores e organizações da sociedade civil.
“Pernambuco pode receber investimentos e equipamentos importantes sem abrir mão de um patrimônio ambiental que levou décadas para ser protegido. Desenvolvimento sustentável é exatamente isso: encontrar soluções capazes de conciliar crescimento, geração de oportunidades e preservação dos recursos naturais para as próximas gerações”, afirmou Rands.
Para o candidato, , a discussão não deve ser colocada como uma escolha entre a Escola de Sargentos e o meio ambiente. “A Escola de Sargentos é um empreendimento importante para Pernambuco. A questão é saber se precisamos sacrificar Mata Atlântica e pressionar uma área relevante para nossos recursos hídricos para viabilizá-la.
Se existem alternativas tecnicamente possíveis com menor impacto ambiental, elas precisam ser analisadas seriamente. O desenvolvimento que interessa a Pernambuco é aquele que deixa também qualidade de vida para quem vem depois de nós”, acrescentou.
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