TARCÍSIO FAVORECE TETRA DE LULA

Quem apoiar uma chapa presidencial da direita encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas (SP), tendo como vice, Michele Bolsonaro vai garantir mais uma vitória de Lula para a Presidência da República- o “tetra” do lulismo. O bolsonarismo raiz vai perceber que houve chantagem contra Jair Bolsonaro, que indicou primeiramente Flávio para concorrer.

E se mudou de opinião depois, foi por pressão espúria de quem é contra o Brasil. Os bolsonaristas entenderão que a mudança forçada foi uma forma da direita ser submetida ao “sistema”, sob a liderança aparente de Tarcísio, que tem como aliados banqueiros, a velha imprensa, o STF e um bando de oportunistas e traidores. Os votos orgânicos do ex-presidente desaparecerão para o terror de quem espera a submissão. Tente e verá.

Toda esta confusão é porque não ficou clara a negociação entre Michele, Tarcísio e Alexandre de Moraes (STF) para aliviar o rigor no cumprimento da pena do ex-presidente. Da sua cela em Brasília, Bolsonaro identificou o acerto para a ida ao presídio da Papudinha como uma armadilha contra Flávio e convocou Tarcísio à prisão para cobrar o apoio à pré-candidatura do filho. Na última hora da terça-feira (20), o governador desistiu do encontro que seria hoje (22) de manhã, sem uma desculpa plausível.

Desta malfadada reunião na Suprema Corte, a jornalista do STF Daniela Lima (UOL) disse que o ministro Moraes achou Michele “suave na conversa e direta no objetivo do encontro”. Um suposto gesto de simpatia e humildade do algoz do marido da ex-primeira dama.

No entanto, Moraes não quis correr o risco do rei inglês Ricardo III, na Idade Média, que ofereceu de joelhos sua espada à viúva Lady Anne para que ela cortasse sua cabeça por ter matado seu marido e sogro em batalha pelo reinado. Ao contrário da humildade, Ricardo III tentava mesmo seduzir a viúva. Mas Lady Anne resistiu à provocação e não decapitou aquele que oferecia simpatia com objetivo escuso. Tampouco Michele pensou nesta opção para Moraes, suponho.

O afastamento de Tarcísio está mais do que claro. Do ex-presidente ele só quer os votos e uma vice sem muito poder com o sobrenome Bolsonaro na chapa. O governador se orienta pela expressão que “para tudo permaneça como está, é preciso que tudo mude” do escritor italiano Giuseppe di Lampedusa em “O Leopardo”.

A frase resume a estratégia da aristocracia siciliana na época da unificação italiana (Risorgimento): fazer concessões e adaptações superficiais às novas ideias liberais para manter o poder e os privilégios da elite, garantindo que, na prática, as estruturas de poder permanecessem as mesmas, um exemplo de conservadorismo disfarçado de mudança.

A ideia de que, para se manter no poder, é preciso que o “novo” apenas se reorganize por cima do “velho”, sem alterar as bases da hierarquia social vai de encontro aos preceitos e valores defendidos tanto pelo velho Bolsonaro, como pelo novo. No seu breve governo, 2019 a 2022, o ex-presidente enfrentou com sucesso uma pandemia global que desarrumou governos em todo o planeta.

Teve que bater-se contra uma imprensa hostil, uma oposição ardilosa e um Judiciário intrometido e inconstitucional, reduziu impostos. Enfim, foi o governante antissistema, aquele que era visto como uma ameaça aos oportunistas de plantão. E, seu filho Flávio, tem condições políticas e de saúde para dar continuidade a este combate.

Por isso, acredita-se que nos próximos dias até 04 de abril – data da desincompatibilização dos governantes que querem concorrer a cargos diferentes do que ocupam – a maledicência chegará ao extremo com o propósito de inviabilizar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

E não faltam em Brasília, para tanto, traições, falcatruas, falta de transparência governamental, muito gasto público e compra e venda de votos. Dentro deste quadro trágico, as fofocas políticas vão atingir o estágio de excelência em comentários maldosos, às vezes até verdadeiros. A ver. É isso.

Por Antonio Magalhães – Jornalista

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