Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo de 10 pedidos de impeachment apresentados na Câmara dos Deputados nos primeiros seis meses deste seu 3º mandato. Levantamento do Poder360 mostra que o número supera o início dos mandatos anteriores do petista e o começo da gestão de Jair Bolsonaro (PL).
O ex-presidente foi alvo de apenas três requerimentos do tipo, no 1º semestre de sua gestão. Os primeiros pedidos contra Lula foram apresentados antes mesmo do retorno dos trabalhos no Legislativo, em 26 e 27 de janeiro deste ano.
A apresentação foi simbólica, já que com a mudança de legislatura foram automaticamente arquivados. Autor do 1º pedido contra Lula neste ano, o deputado federal Sanderson (PL-RS) avalia a apresentação de mais um requerimento. O motivo é a decisão do Ministério da Educação de encerrar o programa de escolas cívico-militares, criado no governo Bolsonaro.
Segundo Sanderson, 202 escolas estariam ameaçadas de serem fechadas. O ministro Camilo Santana (Educação) disse, no entanto, que não haverá fechamento de unidades e que a descontinuidade do modelo atenderá a uma política de transição.
“Se não houver fechamento das escolas, [o requerimento] perde o objeto e não haveria prejuízo à comunidade escolar […] Se essa fala dele não se confirmar, aí certamente vamos entrar com um pedido de impeachment”, afirmou Sanderson .
Outros dois pedidos foram protocolados este mês (julho). O total de documentos que miram Lula somam 12. Nos mandatos anteriores, de 2003 a 2010, foram 37 requerimentos. Para o vice-líder do Governo na Câmara Rubens Pereira Júnior (PT-MA), os pedidos não preocupam o Planalto.
“É apenas a oposição demarcando posição. De forma infrutífera”, afirmou. O pedido de afastamento se transformou numa espécie de voto de desconfiança do sistema parlamentarista. Ocorre que no Brasil o sistema é presidencialista e o trauma de um impeachment é muito maior do que quando há mudança de primeiro-ministro.
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