Dedico este artigo ao meu colega o gênio Adalbert Einstein, autor da teoria da relatividade no universo
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Ou seja, o tricampeonato foi a cereja do bolo. O guru vermelho foi ungido da infalibilidade do papa dos devotos de peles vermelhas. Na Antiguidade havia Oráculo de Delfos. Agora foi criado o Oráculo do Cordão Encarnado.
Está decretado um novo tratado de ciência política para remasterizar os ensinamentos dos sábios gregos Sócrates e Platão: a nova democracia relativa, politicamente correta, ao invés do modelo de Atenas na Grécia, terá como exemplo o regime bolivariano de Nicolas Maduro na Venezuela. O cientista Adalbert Einstein morre de inveja da teoria da relatividade na política.
“Só sei que nada sei”, dizia o filósofo grego Sócrates. “Só sei que tudo sei”, dizem os filósofos politicamente corretos. Haverá uma democracia relativa, uma liberdade relativa. Seremos relativamente livres, as mulheres ficarão quase grávidas, os loucos serão quase sábios, seremos quase felizes, a terra será quase plana e a vida será quase bela.
Nos tempos da anistia e abertura “lenta, segura e gradual”, o general-presidente Ernesto Geisel falou em “democracia à moda brasileira” e as esquerdas caíram de pau em cima dele. As vozes disseram que “à moda brasileira” só existia a feijoada.
Agora foi instalada a dinastia do cordão encarnado. Os devotos rendem louvores ao sábio vermelho. Aquela voz maviosa! Aquelas barbas aveludadas! Aquela sabedoria dos profetas! Os penitentes da alegoria da caverna de Platão tateavam na escuridão em busca da luz da verdade. Os devotos de hoje consultam o Oráculo do Cordão Encarnado.
Dizei-me, oh iluminado guru, quem será o vosso sucessor na sucessão presidencial de 2030? Boa pergunta. Em nome da continuidade da dinastia, o candidato à sucessão presidencial em 2030 será o mesmo candidato de 2026 e o mesmíssimo candidato eleito em 2022, a saber, a alma mais honesta do reino de Pindorama.
Eleição é apenas um detalhe para cumprir tabela. Basta fazer uma harmonização facial da democracia relativa. Quando estiver bem velhinho, com a idade de Matusalém, o guru vermelho irá escolher um poste para sucedê-lo na dinastia da tribo de peles vermelhas. Quem está fora não entra, quem está dentro não sai.
Vocês dirão que existe o imponderável na política e na vida e também existe a lei da fadiga dos materiais. Ou que a política é muito dinâmica. Quanta inocência! Os regimes totalitários de esquerda são regidos pela dinâmica da inércia.
A ditadura comunista da China Continental impõe-se pela força do império capitalista, chamado de “uma nação, dois sistemas”. Nos países pobres, a exemplo da Nicarágua, impera a repressão feroz. Imponderável, fadiga dos materiais – todas essas teorias caem no vazio diante da brutalidade da repressão das ditaduras. Fiquem ligados, gregos e troianos, monarquistas e republicanos.
Por: José Adalbertovsky Ribeiro – Periodista, escritor e quase poeta



