“A MÁ FÉ DOS INTOLERANTES”: HÁ DÉCADAS É PROIBIDO PENSAR DIFERENTE NO MEIO ACADÊMICO

A universidade é um centro de saber, destinado a aumentar o conhecimento humano, um noviciado de cultura capaz de alargar a mente e amadurecer a imaginação dos jovens para a aventura do conhecimento, uma escola de formação de profissionais e o instrumento mais amplo e mais profundo de elaboração e transmissão dos saberes”.

Uma beleza de definição clássica do que é uma universidade. Mas ela está restrita apenas aos antigos manuais e não corresponde à realidade brasileira. “Há décadas é proibido pensar diferente no meio acadêmico, ler e citar autores que não seguem a cartilha marxista e usar argumentos fora do acervo ideológico da esquerda.

Não é permitido sequer questionar. As universidades, principalmente as públicas, viraram um ambiente onde imperam o totalitarismo, a intolerância e o pensamento único”.

A reflexão é do professor de História, Gabriel Giannattasio, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele é uma das raras vozes conservadoras em cursos de Humanas e, justamente por isso, tem histórico de boicotes, isolamento e perseguição no meio acadêmico.

“Basta pegar o meu currículo Lattes e ver. Você para de ser chamado para participar de banca, você para de ser chamado para participar de mesas, congressos. É um boicote, uma política de cancelamento”, acrescenta.

Há quase 15 anos Giannattasio sofre o que hoje convencionou-se chamar de “cancelamento”. Luta praticamente sozinho para defender o direito dos poucos alunos que costumam questionar o pensamento marxista dominante na Universidade.

São tantas as histórias que coletou de autoritarismo na elite acadêmica universitária, que encheu dezenas de páginas, transformadas em livro: “O livro proibido: totalitarismo, intolerância e pensamento único na Universidade”, lançado em Londrina em evento que não atraiu os colegas de docência de Giannattasio.

Alguns deles protagonistas das histórias relatadas na publicação, como registrou o jornal paranaense “Gazeta do Povo”, uma espécie de porta-voz dos setores conservadores nacionais, posto que já foi ocupado pelo jornal “O Estado de São Paulo”.

A obra destrói a narrativa de que marxismo cultural e doutrinação em sala de aula são teorias da conspiração. Começa com o primeiro episódio de cancelamento e perseguição vivido pelo autor e por um aluno seu, orientando de mestrado, que ousou questionar os autores marxistas impostos pelos professores.

O livro sobre a intolerância universitária reúne relatos documentados de violência em sala de aula, com a tentativa de cancelamento daqueles que questionam o pensamento hegemônico de esquerda no ambiente acadêmico. 

Na conversa com a “Gazeta do Povo”, Giannattasio relata como a universidade foi sequestrada pela esquerda, principalmente a partir da década de 1960. “Foi um trabalho de ocupação dos centros de produção do conhecimento e nos órgãos de disseminação da informação, relatados pelos próprios intelectuais de esquerda, como Roberto Schwarz”.

O problema, diz Giannattasio, não é o pensamento de esquerda em si, mas a proibição de questionar e apresentar novas ideias: “Sem contestação, sem crítica, como é que eu vou desenvolver, enraizar, o pensamento? Se ele não está exposto ao contraditório?”, afirma.

O Professor explica que os conservadores têm reagido, de diferentes formas, no ambiente acadêmico. E a resposta da esquerda tem sido vergonhosa muitas vezes: como não está acostumada a ser questionada, não tem argumentos e acaba respondendo com agressão.

Um exemplo recente dessa estratégia, cita o professor, foi a tentativa de professores e alunos de esquerda de proibir a exibição do documentário sobre arte “O Fim da Beleza”, da Brasil Paralelo, na Universidade Federal do Paraná.

No Recife, na UFPE, houve um embate físico de uma milícia estudantil contra os estudantes que promoveram a exibição do filme “Jardim das Aflições” sobre o professor Olavo de Carvalho, o inspirador da direita nacional.

Em meio a mobilização para exibir o filme, o professor de Filosofia da UFPE Rodrigo Jungmann, não esquerdista, viu seu gabinete na universidade ser destruído e pichado por um grupo de estudantes contrário à sua orientação ideológica.

E fica a lição de que é preciso ser intolerante com a intolerância, com o totalitarismo e com o pensamento único. Viva a diversidade intelectual. É isso.

Por: Antonio Maglhães-Jornalista

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