ANTONIO MAGALHÃES: “NOCAUTE NOS SOCADORES DE VENTO”

Boxe ou pugilismo é um esporte de combate no qual os lutadores usam luvas acolchoadas e utilizam as mãos para atacar e defender. O objetivo no boxe é desferir golpes para pontuar ou nocautear o oponente, seguindo um conjunto de regras predeterminadas.

O momento político nacional lembra metaforicamente uma luta de boxe. No qual o adversário mais forte bate pouco, mas se esquiva muito bem e vem ganhando a luta pelo cansaço do adversário cujo os golpes não o alcançam. Os socos no ar dão mais canseira do que as pancadas eficientes. É verdade.

É o que vemos: um presidente da República diariamente atacado por seus adversários ou inimigos com acusações renovadas supostamente verdadeiras com o objetivo de destruir seu governo, sua reputação ou abreviar seu mandato.

Não passa um dia que não haja uma acusação nova. Até mesmo aquela que não o envolve diretamente pode ser colocada na sua conta, aludindo à responsabilidade pelo mando administrativo de subordinados na máquina pública. É fácil encontrar bodes expiatórios com tantos ministros, secretários, presidentes de estatais e mais de 20 mil cargos comissionados atuantes.

O ringue do box tem em média cinco metros quadrados. Mas o espaço brasileiro para os ataques ao governante é bem maior: são 8.516.000 de quilômetros quadrados, dos quais 49 por cento abrigam a densa floresta amazônica.

E, neste espaço, que tem como centro do ringue a capital Brasília, o governante distribui com parcimônia jabs, diretos, cruzados, ganchos e às vezes o demolidor uppercut. Mas é com a paciência e o jogo de pernas de um Mohamad Ali que ele envolve o adversário socador de vento, usando muita esquiva corporal e não deixando ser atingido pela maledicência política.

Os boxeadores de verdade só se enfrentam no ringue por 12 rounds de 3 minutos, isto se um não for nocauteado antes. Já o governante vem enfrentando uma luta há 3 anos e meio com fôlego para completar o quarto ano. No boxe, entre um round e outro, há um descanso de 1 minuto. Mas para ele nenhum momento de tranquilidade ou paralisação da luta é permitido.

Só pauleira o tempo todo e sem qualquer regra, diferente do box. No pugilismo a luta é supervisionada por um árbitro dentro do ringue que controla a conduta dos lutadores e preza pela segurança dos atletas.

O árbitro é responsável por separar os lutadores, fazer a contagem regressiva quando um deles é derrubado e interferir nos casos de falta. Durante toda a luta, três juízes do lado de fora do ringue decidem a pontuação dos oponentes de acordo com o desempenho de cada um, podendo conceder a vitória ou a derrota, sempre dentro das regras do boxe estabelecidas séculos passados.

Sorte dos lutadores. Já os árbitros, juízes, magistrados, ministros da vida política nacional vêm tendo uma visão enviesada dos acontecimentos e da luta. Como se o juiz do embate se aliasse a um dos boxeadores para atacar o oponente. As regras, fora do quadrado esportivo, deveriam ser tão respeitadas quanto as do pugilismo.

Mas nada disso acontece. Hoje, a sobrevivência do governante passa por um bom jogo de cintura, a manutenção do fôlego e a resistência no combate, sempre enfatizando a eficácia da sua administração.

O julgamento da sua ação no ringue político vai sempre estar longe do que pensam os árbitros e seus nefastos aliados. Já o voto da plateia, que o vem apoiando, vai lhe fazer justiça. Para os socadores de ventos só sobrará um uppercut e nocaute. É isso.

Por: Antonio Magalhães – Jornalista

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