GOVERNO LULA USA IMPRECISÕES NAS CRÍTICAS À JORNADA DE TRABALHO 6 X 1

Poder360

Congressistas e ministros do governo Lula (PT) citaram dados incorretos ou controversos na defesa da Proposta de Emenda à Constituição – PEC que elimina a escala de trabalho 6 X 1, em discursos na última segunda-feira(25), no Congresso Nacional.

A PEC foi aprovada na quarta-feira (27) e enviada ao Senado. O texto aprovado pela Câmara estabelece duas folgas semanais em vez de uma, como é atualmente. Também determina que a jornada semanal será 40 horas em vez das 44 atuais. Os discursos no Salão Verde da Câmara precederam uma entrevista sobre o tema.

Participaram: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); o deputado Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial da PEC; o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da comissão; o ministro José Guimarães (Relações Institucionais e o ministro Luiz Marinho (Trabalho). Motta referiu-se à proposta como “uma agenda do país” e “uma agenda que pertence à sociedade brasileira”.

Mas uma manifestação em Brasília no domingo (25) em defesa da PEC reuniu apenas 200 pessoas. O presidente da Câmara também afirmou que a mudança “é uma demanda que atende a preferência de mais de 70% da nossa população”.

PESQUISA

Pesquisa Datafolha realizada de 3 a 5 de março de 2026 mostrou que 71% dos entrevistados eram a favor do fim da escala 6 X 1. Mas a pesquisa mais recente, realizada em 4 e 5 de maio, mostrou que a proposta passou a ter o apoio de 65% dos entrevistados.

Guimarães afirmou que “ninguém deixou de ser ouvido” na comissão especial que analisou a proposta. Santana disse algo semelhante sobre as “inúmeras audiências que aqui realizamos, ouvindo todos os setores sem exceção”. Mas a comissão ouviu o dobro de sindicalista em relação aos empresários. Participaram das sessões 71 sindicalistas e 36 empresários.

INVESTIMENTOS

Economistas dizem que é necessário aumentar investimentos para elevar a produtividade. A mudança na jornada de trabalho, porém, elevará os custos para empresas, que terão menos dinheiro para investir. O ministro afirmou que “muitos países estão fazendo o movimento de redução de jornada de trabalho sem redução de salário, portanto o Brasil está em sintonia com o mundo”.

As mudanças na realidade têm sido de forma inversa: a redução da jornada é consequência do ganho de produtividade. Dados da Organização Internacional do Trabalho – (OIT) mostram que o Brasil é o 94º país mais produtivo do mundo e em que 97 países se trabalha mais do que no Brasil. O ministro afirmou que a mudança na jornada resultará em “benefício para toda a economia brasileira”.

A declaração contraria a avaliação de especialistas sobre o aumento de custos para empresas com a mudança. Além do aumento de custos disseminado, porém, haverá dificuldades específicas para alguns setores. As empresas aéreas precisam de jornadas de até 14 horas para voos internacionais. A viabilidade desses voos dependerá de acordos entre as empresas e sindicatos se o texto da PEC aprovado pela Câmara for chancelado pelo Senado.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *