COP30 COMEÇA EM BELÉM, COM TENSÃO GEOPOLÍTICA E METAS CLIMÁTICAS DE BAIXA ADESÃO

Poder360

A Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima- COP30 começa nesta segunda-feira feira(10), em Belém, segue até 21 de novembro e deve reunir, segundo expectativa, cerca de 50.000 participantes, com fraturas geopolíticas e ambição climática insuficiente.

Do total de 194 países que participam da Convenção do Clima, 109 apresentaram suas NDCs Contribuições Nacionalmente Determinadas – pouco mais da metade – resultado considerado tímido para uma conferência que marca os 10 anos do Acordo de Paris. A alta nos preços de hospedagem em Belém quase impediu a presença de países em desenvolvimento na COP30.

A solução emergencial envolveu a contratação de dois cruzeiros atracados no Porto de Outeiro, construído às pressas para viabilizar a chegada das embarcações. Elas abrigam delegações de 66 países –56 custeadas pela ONU. Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que a falta de infraestrutura em Belém dificultou a adesão e, mesmo com os esforços, a presença de delegações e observadores ficou abaixo do esperado. 

O Brasil ainda aguarda receber até 120 compromissos durante as duas semanas. O deficit de ambição é grande: as 64 NDCs apresentadas até setembro cobrem apenas 30% das emissões globais. Somadas, colocam o mundo em rota para reduzir as emissões projetadas em apenas 4% até 2035, conforme o OC– mesmo com a necessidade de 60% de redução para manter viva a meta de 1,5 °C. 

Na véspera da abertura, a presidência da COP30 publicou carta alertando que a floresta amazônica se aproxima de um ponto de colapso e defendendo a adoção de “freios de emergência globais”. O texto afirma que o planeta já ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e adverte que “pontos de inflexão interligados podem provocar transformações em cadeia”.

As contradições foram evidenciadas pelo próprio anfitrião. Na véspera da COP30, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) licenciou a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. A estratégia é pleitear os combustíveis fósseis para bancar a chamada transição energética.

TRINCHEIRA DO MULTILATERALISMO

A realização da conferência no Brasil carrega simbolismo, 33 anos depois da Rio-92, que lançou as três convenções ambientais da ONU – “a convenção do clima regressa ao seu berço“, como destacou o presidente Lula na abertura. É também a 1ª COP sediada pelo país.

Estiveram ausentes chefes de Estado de quatro das cinco economias mais poluidoras do mundo: Estados Unidos, Índia, China e Rússia, de acordo com dados de emissões via WRI (World Resources Institute). Esta COP será a mais esvaziada dos últimos seis anos. Serão 31 representantes nacionais, quase metade do ano passado e, com cerca de 100 países a menos do que em 2023.

A ausência mais emblemática é a dos Estados Unidos, o maior emissor. O governo de Donald Trump (Republicano), que já retirou o país do Acordo de Paris, optou por não enviar nenhum representante a Belém. Para a Cúpula de Líderes, a China enviou seu vice-primeiro-ministro, Ding Xuexiang.

As divisões são evidentes: a China aderiu à coalizão de carbono, mas não assinou o compromisso sobre combustíveis sustentáveis. Até a véspera da abertura, mediadores ainda trabalhavam para conseguir consenso na adoção das agendas negociadoras.  Ainda há muita dificuldade em encontrar um terreno comum.

Sem líderes estratégicos e engajamento insuficiente, Belém precisará provar que o multilateralismo climático ainda é capaz de produzir resultados – ou admitir que, como alertou Guterres, o mundo escolheu ser levado à ruína.

Foto: Sérgio Lima/Poder360

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