No lugar do combustível, a energia elétrica tem movimentado os veículos de duas rodas para deslocar pessoas nas áreas urbanas. Por conta da economia e da facilidade de condução, a moto e a bicicleta elétrica têm atraído cada vez mais adeptos em Pernambuco. Na prática, quais os benefícios e vantagens desse tipo de veículo à população, ao mercado e ao meio ambiente?
Uma pesquisa, ainda em desenvolvimento, quer medir, observar e analisar cientificamente o comportamento do sistema em diferentes situações. Trata-se do projeto AIMOBVE – Avanços Integrados em Mobilidade Inteligente, Segurança Veicular e Eficiência Energética – coordenado pelo Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco – CIn/UFPE.
Iniciativa conta com uma rede de instituições parceiras. Entre elas, o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Governo de Pernambuco.
Apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos – Finep que é ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o projeto de pesquisa avalia diferentes frentes. Entre elas, mobilidade elétrica, Internet das Coisas (IoT), segurança veicular, eficiência energética, modelagem, sensores.
Para realizar os estudos, o projeto conta com parceria técnica com a Aima Nordeste – maior fabricante chinesa de veículos elétricos de duas rodas do mundo, que cedeu uma motocicleta elétrica AIMA N612. para o projeto. A empresa contribuiu com a disponibilização de um veículo, capacitação dos pesquisadores e apoio à compreensão dos componentes e sistemas dos veículos, com suporte operacional para preparação e realização dos testes.
Para o gerente comercial da Aima Nordeste, André Rameh, o estudo acaba contribuindo também para a empresa, gerando dados que podem ajudar a entender melhor os resultados do modelo, dados técnicos, a performance na mobilidade e mais informações sobre o público. Além de Olinda e Jaboatão dos Guararapes, a Aima Nordeste inaugurou, mês passado, uma nova loja no Recife (com modelos de duas e três rodas) entre veículos autopropelidos, triciclos elétricos de carga e motos elétricas.
SOLUÇÕES TECNOLOGICAS
A pesquisa combina diferentes ambientes de experimentação. Existe uma etapa de pesquisa científica, modelagem, simulação e desenvolvimento em laboratório. O foco é desenvolver soluções tecnológicas para tornar a mobilidade mais eficiente e sustentável.
Segundo o coordenador geral do Projeto AIMOBVE e também professor do CIn/UFPE, Paulo Romero Martins Maciel, ainda é prematuro divulgar números definitivos de autonomia real, consumo energético ou degradação da bateria. Mas uma das principais percepções da pesquisa, até agora, é que a mobilidade elétrica representa uma transformação que vai muito além da simples substituição de veículos a combustão por veículos elétricos.
Para o usuário, a autonomia real de um veículo não depende apenas da capacidade declarada da bateria. Ela pode variar em função do perfil de condução, peso transportado, velocidade, frequência de aceleração e frenagem, relevo, trajeto e condições de utilização.
“Existe uma nova relação entre veículo, usuário, bateria, energia, infraestrutura urbana, conectividade e dados”, pontuou. A expectativa dele é que o conhecimento produzido possa contribuir para estudos e soluções aplicáveis a diferentes veículos elétricos leves e diferentes cenários de mobilidade.
Foto – Divulgação




