O reconhecimento da Renda Renascença como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, nesta semana, reforça a importância de um saber fazer que atravessa gerações e encontra na maior feira de artesanato da América Latina – Fenearte, uma de suas maiores vitrines.
A tradição ocupa dezenas de estandes espalhados por diferentes espaços de comercialização, na 26ª Edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato, no Centro de Convenções de Pernambuco até o dia 19 de julho. O evento que reúne artesãos de várias regiões do Estado, do Brasil e de outros países, vem revelando histórias de vida costuradas ponto a ponto.
São toalhas, vestuário, acessórios, peças decorativas que preservam uma técnica secular, transformada em fonte de renda, identidade cultural e legado familiar. Pela primeira vez, a Alameda dos Mestres recebe uma representante indígena do povo Xukuru de Ororubá.
Aos 80 anos, a mestra Francisca Xukuru traz para a Fenearte uma trajetória iniciada aos sete anos de idade, quando aprendeu a fazer renda com uma tia, que havia aprendido o ofício em Poção e repassou o conhecimento à família. “A renda renascença representa a minha vida. Meu emprego sempre foi a renascença”, disse Mestra Francisca” .
Ao longo da vida, ela criou os oito filhos graças ao trabalho com a renda. Todos seguiram o mesmo caminho, mantendo viva a tradição da família. Para Francisca, participar da Fenearte é também uma oportunidade de apresentar ao público a história por trás de cada peça e contribuir para que a renda renascença siga sendo valorizada pelas novas gerações.

“A feira é muito importante porque mostra o nosso trabalho para gente de todo canto. Quem vem conhece a nossa história, aprende a dar valor à renda renascença e isso ajuda a manter viva essa tradição. É um patrimônio que a gente recebeu dos nossos antepassados e tem a responsabilidade de passar adiante”.
Hoje, além das vendas presenciais, Francisca também comercializa suas peças pela internet, realidade que a levou a aprender novas formas de divulgar o próprio trabalho. “Está sendo ótimo estar aqui porque a gente recebe o povo assim que ele chega”, conta ela sobre a participação na Alameda dos Mestres.
Também na Alameda dos Mestres estão as peças produzidas por Dona Odete, referência da renda renascença em Pernambuco. Também moradora de Pesqueira, ela dedica cerca de oito décadas de sua vida ao ofício, preservando uma tradição que chegou ao Brasil ainda no período colonial, trazida por freiras católicas, e que encontrou no interior pernambucano um dos seus maiores centros de produção.
Para a diretora-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco, Roberta Andrade, o reconhecimento da Renda Renascença como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco reforça o papel da Fenearte na valorização dos saberes tradicionais e de seus protagonistas.
“Temos o compromisso de preservar e dar visibilidade aos ofícios que fazem parte da identidade cultural do nosso estado. A Renda Renascença é um dos maiores símbolos do nosso artesanato e esse reconhecimento fortalece ainda mais um trabalho construído por gerações de rendeiras. Na feira, elas encontram um espaço para comercializar suas peças, contar suas histórias e garantir que esse patrimônio continue vivo e sendo transmitido para o futuro”, afirmou a gestora.
Fotos – Divulgação




