Poesia no improviso com coesão e beleza não é para qualquer um, mas é a especialidade de um grupo de mulheres do Sertão pernambucano que compõem o Mulheres de Repente” e levam para o mundo o incrível talento da poesias originais sertanejas.
O grupo é formado pelas poetisas Erivoneide Amaral (Afogados da Ingazeira), Elenilda Amaral (Afogados da Ingazeira), Dayane Rocha (Brejinho de Tabira), Milene Augusto (Solidão), Francisca Araújo (Iguaracy) e Thaynnara Queiróz (Carnaíba): as sertanejas comandam o grupo “
Junto com a multiartista Luna Vitrolira, que faz a mediação das apresentações, elas chegam à Festa de Louro, em São José do Egito, Sertão do Estado – inaugurando o Projeto “Glosa: Nuances da Oralidade e da Escrita” – iniciativa com oficina mais apresentação, que é desenvolvido com o apoio do Funcultura. A produtora executiva Taciana Enes completa o time de super mulheres de repente
As oficinas “Nuances da Glosa” serão gratuitas e terão duração de três dias: de 03 a 05 de janeiro de 2024, das 8h às 12h, com direito a certificação. Serão abordados: a origem da Glosa e da Mesa de Glosas e oralidade e identidade pajeúnica; produção literária de mulheres no improviso e declamação e performance; métrica, rima e oração e estratégias e técnicas de criação do improviso.
Quem pretende participar deve se inscrever no link https://forms.gle/ZbgK7TwFgkcqKT4q8 : serão apenas 15 vagas e as aulas ocorrerão no Centro de Cultura Professor Bernardo Jucá.
Também será criada uma “Cartilha da Glosa”, nos formatos impresso e e-book (180 unidades para impressão), sendo a culminância de cada etapa do projeto a realização de uma “Mesa de Glosas” em cada cidade, com intérprete de libras junto ao grupo para fomentar a acessibilidade e integração dos públicos.

“A formação de mulheres na Glosa representa um forte e estratégico movimento como uma forma de fortalecer o cenário da poesia de repente feita por mulheres, fomentando a cultura do improviso da poesia popular.
Nesta oficina as poetas glosadoras da nova geração, junto com a coordenadora de Mesa de Glosas, Luna Vitrolira, pesquisadora da modalidade e mestra em Teoria da Literatura, estarão juntas, incentivando o surgimento de novas vozes femininas no improviso, que darão continuidade a essa tradição”.
“Elenilda e Dayane foram as primeiras a ocupar esses espaços, depois a gente foi chegando junto, e quando criamos o “Mulheres de Repente” a gente passou a ter um espaço muito maior, inclusive fora do Estado. Para além de hobby ou espaço de resistência, esse movimento é estratégico para romper esse pensamento de limitar o espaço da mulher”.
SOBRE A GLOSA
Dentre as centenas de atividades oficiais e paralelas da Festa de Louro, tradicional evento no calendário das artes em Pernambuco, sem dúvida a mesa de glosas é uma das mais prestigiadas.
“A modalidade de poesia de improviso criada no Pajeú Pernambucano, apresenta esquema rígido de funcionamento, a partir de métrica onde os poemas são improvisados em décimas, com motes elaborados pelo mediador da mesa e revelados apenas na hora da glosa para as poetas”.
“Essa estrutura de dois versos determina os assuntos, a forma métrica e as rimas a serem usadas no improviso, além de obrigatoriamente encerrar as estrofes”, explica Luna Vitrolira. Para o evento de Louro, as poetisas pretendem abordar temáticas relacionadas à contemporaneidade, como educação e igualdade, mas sem abrir mão de assuntos mais poéticos que exaltem a resistência e importância da arte.
SERVIÇO
“Mulheres de Repente” em São José do Egito (PE): projeto “Glosa: nuances da oralidade e da escrita”*
Oficina: 03 a 05 de janeiro de 2024.
08h às 12h presencial com carga horária extra.
Local: Centro de Cultura
Inscrições: https://forms.gle/ZbgK7TwFgkcqKT4q8 – Apoio: Funcultura
- Mesa de Glosa: 05/01/24 15h
Fotos – Divulgação




