O Ano Zero é um mito da esquerda que costuma ser aplicado em países que passam por mudança governamental brusca, seja uma revolução, um golpe ou mesmo uma eleição fraudada. Comunistas, socialistas e adjacentes querem sempre zerar a história como se isso fosse possível, destruindo o passado e criando um homem novo sem mácula.
Uma prática enganosa e cruel tentada em todos os países quando esquerdistas tomam ou chegam ao poder, inclusive no Brasil e em suas ditaduras amigas. Há quem pense na proposta de Ano Zero como uma ingenuidade política. Na verdade, não é. É um processo de instalação de uma tirania encoberta de supostas boas intenções.
E o resultado vem sendo trágico e pífio desde o século passado. Atualmente, restam apenas cinco países considerados estados socialistas com governo de partido único de orientação comunista no mundo: China, Cuba, Laos, Coreia do Norte e Vietnã. Embora denominados comunistas, esses países funcionam em níveis variados de transição, com a China e o Vietnã adotando práticas econômicas de mercado, enquanto mantêm o controle político centralizado.
No entanto, faliram os que optaram por radicalizar o Ano Zero. Até mesmo a poderosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o farol do comunismo mundial a partir de 1917 e que dominou toda a Europa Oriental no pós-Segunda Guerra, sustentando-se até 1991, quebrou quando uma crise econômica, política e de governança enterrou a proposta que ia levar o mundo ao paraíso marxista.
Já os chineses, no final dos anos 1940, envolvidos numa guerra civil que deu vitória aos comunistas de Mao Tsé-Tung, vivenciaram tristemente essa formulação do Ano Zero. O líder onipotente chinês tentou sem sucesso mudar o futuro do gigante asiático. Promoveu rebeliões internas, como a Revolução Cultural, com os jovens radicalizados no comando da nação, destruindo a história e quem representasse o conhecimento, como professores e intelectuais.
A salvação dos chineses foi a morte natural de Mao e a ascensão de Deng Xiaoping como líder supremo entre 1978 e 1992. Ele conduziu o país a uma série de reformas econômicas, ganhando-lhe a reputação de “Arquiteto Chefe” da Reforma e Abertura. O “Homem Novo” de Mao saído do Ano Zero ficou no passado.
Mas os chineses continuam submetidos, embora com melhores condições de vida, a um sistema de partido único, com controle político centralizado e restrição a oposições. Aos chineses de hoje sequer é dada a possibilidade de optar entre a liberdade ou o bem-estar. A resposta forçada vem do Partido Comunista que manda na China: a falta de liberdade é a maior liberdade, como no livro de ficção distópica “1984”.
O mesmo se deu em Cuba na busca do Ano Zero após a revolução que depôs o ditador Fulgêncio Batista em 1959. Durante décadas, a ilha foi favorecida pelos soviéticos pela proximidade dos Estados Unidos em plena Guerra Fria. Tempos depois, quando a ilha caribenha perdeu o subsídio russo, no início dos anos 1990, o que já era ruim na vida dos cubanos piorou mais.
O “Homem Novo” prometido por Fidel Castro e Che Guevara tornou-se um mendigo social espoliado por um regime autoritário que enriqueceu sua elite. Pode-se dizer hoje que a meta proposta pelo ditador Castro foi alcançada: todos vivem igualmente… na miséria.
Assim também aconteceu na Ásia, quando o ditador comunista do Camboja, Pol Pot, que esteve no poder de abril de 1975 a janeiro de 1979, comandando a milícia assassina Khmer Vermelho, implementou políticas radicais que resultaram no genocídio de cerca de 1,5 a 2 milhões de pessoas. O regime forçou a evacuação das cidades, criou campos de trabalho forçado e perseguiu intelectuais, minorias e oponentes políticos. O Ano Zero de Pol Pot foi uma tragédia só interrompida pela invasão vietnamita.
Já a Venezuela de Hugo Chávez teve seu Ano Zero quando o presidente eleito determinou a implantação do “socialismo do século 21”, de vaga definição. As eleições fraudadas durante décadas, com ajuda inclusive do Brasil, permitiram a consolidação do regime chavista, destruindo a economia do país, massacrando sua população e a oposição política”.
Morto Chávez, vítima de um câncer, seu sucessor Nicolás Maduro, ao contrário do chinês Deng Xiaoping, levou a Venezuela à bancarrota econômica, à miséria instalada, com um terço dos venezuelanos fugindo e uma elite que se aproveitou da situação para se juntar ao narcotráfico e enriquecer.
O resultado do Ano Zero foi zerar as expectativas de muitas nações que acreditaram no desmanche da história para um recomeço. É, portanto, um deslocamento da realidade falar em extinguir a sociedade como ela existe agora para implantar uma nova forma de vida social, como, por exemplo, o “Grande Reset” da cabeça dos globalistas que ocupava a mídia tradicional até a volta de Donald Trump.
Felizmente no Brasil, a proposta do Ano Zero sequer foi implantada diante da falta de um contexto favorável em 2003. E agora, mais de 20 anos depois do início da gestão do PT, ela não tem mais sentido. Sobrou para os brasileiros uma experiência social nefasta e profundamente demagógica que manteve a pobreza no país, agravada por uma má situação econômica sobrecarregada de impostos e subsídios inócuos. O poder petista chegou à fadiga sem conseguir trocar a sociedade e sem um “Homem Novo”.
Este ano de 2026 tem que ser, na verdade, o início de uma nova era, o “Ano Um”, que, por meio das eleições gerais, vai trazer de volta as liberdades individuais ilimitadas e garantidas legalmente, o acolhimento jurídico aos artigos da Constituição Federal de 1988 e a prosperidade econômica, com impostos justos e sem corrupção. É isso.
Por Antonio Magalhães – Jornalista




