POR ATAQUES E VIRAIS CANDIDATOS DEIXAM PROPOSTAS DE LADO, NAS REDES SOCIAIS

No Brasil, cerca de 150 milhões de pessoas acessam as redes sociais, segundo dados do relatório Digital 2021, parceria entre We Are Social e a Hootsuite. O país é o terceiro do mundo que mais utiliza as plataformas

. Os objetivos são os mais variados: vão desde aprender o preparo de uma refeição a ler notícias e falar com amigos. Neste ano, há mais um motivo para se ligar às mídias: buscar informações para escolher os candidatos às eleições gerais de outubro.  

De olho nesses canais, postulantes aos cargos públicos, principalmente à Presidência da República, começam a colocar em prática estratégias de marketing político. Propostas de governo, no entanto, não aparecem entre os assuntos mais comentados nas bolhas dos pré-candidatos ao Planalto.

 A CEO da Vert.se Inteligência, Carol Zaine, ressaltou que se aproveitar dos assuntos em alta para emplacar bons números nas redes sociais pode esvaziar o debate. “É um risco que correm, infelizmente. Muitos estão apenas preocupados em ser lembrados pelas pessoas na hora de apertar o botão da urna e, para isso, são capazes de qualquer coisa”, afirmou.

“Isso não quer dizer que o candidato não possa entrar em uma tendência, em um desafio ou alguma brincadeira que está viralizando. Mas isso deve ser apenas uma das partes da estratégia e, ainda assim, bem analisada. Deve ser uma decisão tomada de olho nos dados. Em campanha, não dá para tomar decisões no escuro”.

A coordenação da campanha do pré-candidato Ciro Gomes (PDT) confirmou a tese. “No momento de pré-campanha, o grande desafio para qualquer pré-candidato é o awareness: manter o seu nome vivo, presente nas mentes da população, ou, no caso aqui, dos usuários”, respondeu a equipe.

Desde que Ciro anunciou a pré-candidatura, o grupo do pedetista tem feito um trabalho diretamente voltado para as redes, na intenção de manter o candidato no imaginário dos usuários.

“Claro que temos, também, nas nossas redes, conteúdos mais detalhados e profundos. Mas nós achamos que, apesar da ansiedade do mercado, da imprensa, e dos próprios atores políticos, os eleitores só vão refletir e definir seus votos mesmo durante a campanha eleitoral”, ressaltou a equipe. “O desafio, até lá, é se manter sempre presente e sob uma ótica positiva, no imaginário da população”.

Outro levantamento, realizado pelo Radar Aos Fatos, apontou que um a cada dois tuítes publicados pelos cinco principais pré-candidatos ao Planalto foi endereçado a outros adversários políticos, especialmente seus concorrentes diretos.

Ainda conforme o estudo, postagens que atacam opositores figuram com quase três milhões de interações nos perfis dos presidenciáveis mais bem colocados na mais recente pesquisa Datafolha — Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes, André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB).

Foto: Olivier Douliery/AFP 

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