PRESIDENTE BOLSONARO SOBRE ORÇAMENTO: “NÃO VOU COLOCAR O MEU NA RETA”

Poder 360

Em jantar com empresários em São Paulo, nesta quarta-feira (07), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que irá respeitar o teto de gastos e a responsabilidade fiscal quando tiver de sancionar o Orçamento de 2021. “Não vou colocar o meu na reta”, afirmou, com o ministro Paulo Guedes da Economia, à mesa. O Poder360 conversou reservadamente com 4 empresários que estiveram no encontro.

Os gestores disseram achar que Bolsonaro quis dar um recado para fortalecer Guedes. No mesmo dia do encontro, o Ministro da Economia foi alvo de ataques do Centrão e houve rumores sobre sua iminente saída do governo. No jantar, estava junto com o Presidente. Num dado momento, Flávio Rocha – dono da Riachuelo – falou que Bolsonaro tinha ao seu lado “o melhor general para a economia”, citando Paulo Guedes. Todos os presentes aplaudiram.

PANDEMIA E VACINAS

Em relação às políticas de isolamento social, coube ao empresário Jose Isaac Peres, dono da rede de shoppings Multiplan, fazer um discurso enfático e alinhado com o que defende Bolsonaro. Peres disse que, não tem cabimento falar em lockdown, que cada uma das mais de 5.000 cidades do País têm realidades distintas e que o necessário, na avaliação dele, é o distanciamento social. O presidente criticou governadores e chegou a usar o termo vagabundos. O tucano João Doria, governador de São Paulo, foi um de seus alvos durante a reunião.

PRESENTES AO ENCONTRO

Além de empresários, a lista de convidados também incluiu o presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo – Ceagesp, Ricardo Mello Araújo. Ele é coronel da Polícia Militar de São Paulo e ex-chefe da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Ele tem relação de proximidade com o Presidente. Depois de visita ao Planalto em novembro do ano passado, Mello Araújo descreveu Bolsonaro como: uma pessoa simples, do povo, iluminado e abençoado pelo Senhor nosso Pai”.

Pelo menos um, dos convidados não apareceu: Johnny Saad (Grupo Bandeirantes). Ele mandou avisar que estava com tosse e preferia não ir. Eis os demais que participaram: André Esteves (BTG); Alberto Leite (FS Security); Alberto Saraiva (Habib’s); Candido Pinheiro (Hapvida); Carlos Sanchez (EMS); Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein); David Safra (Banco Safra); Flavio Rocha (Riachuelo); Luiz Carlos Trabuco (Bradesco); João Camargo (Grupo Alpha de Comunicação);Jose Isaac Peres (Multiplan); José Roberto Maciel (SBT); Paulo Skaf (Fiesp);Ricardo Faria (Granja Faria); Ricardo Mello Araújo (presidente da (Ceagesp); Rubens Ometto (Cosan); Rubens Menin (MRV, CNN e Banco Inter); Tutinha Carvalho (Jovem Pan) e Washington Cinel (Gocil).

ENTREVISTA NA RUA

O jantar foi na casa de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil. A residência fica na Rua Costa Rica, no Jardim América, em frente à casa do ex-deputado Paulo Maluf. Depois da reunião, os ministros Fábio Faria (Comunicações), Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) deram uma entrevista improvisada em frente à casa do anfitrião.

O chefe da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que um eventual lockdown nacional não faz sentido no Brasil porque a própria população não adere a essas práticas”O ministro defendeu uma união nacional para conseguirmos a vacina para imunizar a população brasileira”. Indagado sobre a suspensão do envase de imunizantes pelo Butantan por falta de insumos, Queiroga disse esperar que o instituto tenha a capacidade de produção restabelecida.

O médico também acenou à iniciativa privada, afirmando que busca alternativas para viabilizar também a participação dos empresários na aquisição de vacinas: Não para desviar os principais básicos do SUS, mas para se somar a ele e assim fortalecemos a nossa campanha de vacinação”. 

Paulo Guedes disse que “a síntese do encontro” é baseada nos temas da vacinação em massa e no avanço nas reformas estruturais. Fábio Faria afirmou que todos presentes no jantar estão “satisfeitos” com o governo e afirmou que o Brasil é o 5º país que mais está vacinando. “Atingimos a meta de 1 milhão por dia. Precisamos de união”, disse.

Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) afirmou que conversa entre governo e empresários foi em tom amistoso. Questionado sobre a carta assinada por mais de 500 empresários, economistas e banqueiros cobrando ações do governo na pandemia, o o Ministro afirmou, que, o documento não entrou na discussão. Disse que o diálogo foi uma “reunião de aliança e compromisso com o futuro” e que o Brasil “está engrenando” na produção de vacinas.

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