Blog da Folha
Relação entre o governo federal e o Congresso Nacional ficou ainda mais estremecida após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar, nesta quinta-feira (08), o veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria. Segundo o cientista político e professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Elton Gomes, o veto de Lula é “uma satisfação para a sua militância”.
A decisão agora, segue para análise do Congresso, podendo ser derrubado. “A tendência maior é que esse veto caia, havendo, inclusive, a possibilidade de o Congresso fazer uma sessão extraordinária durante o recesso somente para derrubar o veto do presidente da República. Ele segurou o veto até o ponto máximo e agora ele lança esse veto quase com a certeza de que ele será derrubado”, avaliou.
Ainda de acordo com o especialista, a relação entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está “deteriorada” há muito tempo e não apenas pelo ocorrido desta quinta-feira. O veto é mais um elemento que contribui para o desgaste entre os Poderes, mas não o principal.
“Na verdade, várias outras coisas contribuíram para isso: como as frequentes interferências judiciais mediante impasses no parlamento que são judicializados e acabam indo parar no STF. Você também vai ter o problema da indicação de Jorge Messias que não era o favorito pelo Congresso. O favorito para o Congresso era o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco”, exemplificou.
Para a cientista política Priscila Lapa, haverá a tentativa de pautar o projeto da anistia feita pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), mirando efetivamente na conquista de algo que possa ser negociável como a dosimetria. Ainda de acordo com ela, existe uma visão dentro do próprio Congresso, das instituições e entre as lideranças, que a anistia não se concretiza.
Nem mesmo na base de oposição, nem na base bolsonarista, a gente vê a anistia como sendo um consenso, justamente porque sabe-se das implicações disso nas negociações lá com o Supremo Tribunal Federal – STF nessas relações entre as instituições. A dosimetria já foi um caminho encontrado para tentar fazer com que a oposição também não tivesse todos os seus interesses colapsados pela predominância dessa visão mais de punição aos atos do 8 de Janeiro”, afirmou.
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