RECIFE LANÇA FERRAMENTA COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA ENFRENTAR VIOLÊNCIA CONTRA MULHER 

Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Saúde, em parceria com a Secretaria da Mulher lançou, duas ferramentas para fortalecer a prevenção e a assistência às mulheres vítimas de violência atendidas nas unidades da Atenção Básica. Uma delas é o uso da inteligência artificial – ClarIA, para identificar possíveis vítimas de violência e emitir um alerta para profissionais médicos, enfermeiros, dentistas e profissionais das equipes multidisciplinares (E-Multi).

A mensagem chegará por meio do Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas de Saúde, durante o atendimento à usuária. A outra ferramenta é o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife – um documento direcionado aos profissionais de saúde da rede municipal, com objetivo de aprimorar a identificação, acolhimento, condução clínica e psicossocial, encaminhamento e notificação dos casos.

Nesta segunda-feira (09), o prefeito João Campos (PSB) realizou uma reunião com secretários e parceiros da gestão que estão envolvidos nesta iniciativa para apresentação da ferramenta. “A ClarIA faz uma análise preditiva, com base em informações da saúde, observando se há um risco da mulher que está sendo atendida na saúde estar em uma situação de violência que ainda não foi notificada”.

“Essa inteligência artificial vai começar a ser utilizada e as equipes serão treinadas em todas as unidades de saúde do Recife. A gente começou de forma piloto, mas agora, em abril, já vamos chegar a 23 unidades e 519 profissionais. Toda a rede será contemplada até o mês de julho. Enquanto tiver muito feminicídio e a mulher estiver em risco na cidade, a gente tem que trabalhar”, disse João Campos.

O uso da IA surgiu a partir de uma parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Sesau, Vital Strategies, organização internacional de saúde pública, e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Em um projeto pioneiro, o recurso tecnológico analisou registros de atendimentos de 16 mil mulheres vítimas de violência e atendidas nas Unidades de Saúde da Família do município, ao longo de 10 anos.

Com o cruzamento de informações do Sistema de Informações de Agravos de Notificação – Sinan foi possível identificar sinais de violência e também padrões de adoecimento e comportamento para as vítimas. Uma estatística chamou a atenção: nos 90 dias que antecedem uma grave agressão ou mesmo um feminicídio, elas procuram mais as unidades de saúde, alegando questões de saúde mental.

“Foram analisados mais de 900 mil registros de mulheres da cidade nos últimos 10 anos de saúde e foi identificado que, cerca de 92 dias antes da violência, as vítimas tendem a buscar mais atendimentos de saúde, principalmente para tratamentos psicológicos, alegando quadros depressivos, ansiedade ou pânico. Há um tempo médio de 30 dias entre a notificação e o óbito. Ou seja, se nada for feito dentro desses 30 dias há um risco enorme de morte por feminicídio”, disse o gestor da capital.

Antes de iniciar o processo de expansão dessa estratégia na Atenção Básica, três Unidades de Saúde da Família e uma equipe e-Multi do Distrito Sanitário I  integraram o projeto-piloto: Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar, totalizando 62 profissionais capacitados.

Na próxima etapa, neste mês de março, serão mais 21 unidades integradas à iniciativa, com total de 519 profissionais habilitados para o cuidado às mulheres vítimas de violência, entre médicos, enfermeiros, dentistas e agentes comunitários de saúde, além de três equipes E-Multi.

Fotos: Edson Holanda/Prefeitura do Recife

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