EM ANO ELEITORAL, CRISE NO STF OFUSCA DEBATE DE PROPOSTAS
Blog da Folha
A crescente crise institucional e política sem precedentes instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF) tem dominado o noticiário nacional e ofuscado o debate de propostas das campanhas eleitorais, a menos de um mês do primeiro turno das eleições para presidente da República, governadores e deputados estaduais e membros do Congresso Nacional.
A partir dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, deflagrada no final de 2025 pela Polícia Federal (PF) para investigar o envolvimento de autoridades – incluindo membros do próprio STF – com o dono do antigo Banco Master, Daniel Vorcaro, as relações do banqueiro com membros dos três poderes têm chocado a opinião pública.
Em plena campanha eleitoral, decisões monocráticas de ministros do STF – a exemplo do afastamento do comando da Polícia Federal, posteriormente suspenso – e divergências sobre a extensão de quebras de sigilo da investigação, as disputas entre magistrados da Corte monopolizam o noticiário e as redes sociais.
ESCALADA DA CRISE
Especialistas consultados pela Folha de Pernambuco avaliam que as investigações revelam o momento turbulento da política nacional. “Essa crise é política, moral e também institucional. Uma crise que vem sendo alimentada não é de hoje.
Ela vem sendo gestada há pelo menos sete ou oito anos e decorre do somatório de poderes e dos desvios de poder que vêm sendo suportados pelo Supremo”, avalia o professor, cientista político e colunista da Folha de Pernambuco, Luiz Otavio Cavalcanti.
Ainda de acordo com Luiz Otavio, para além do fato eleitoral, existe uma coisa muito mais grave, que é o destino do país. “A gente tem que prestar atenção a isso. Porque o mal que a Suprema Corte fez nesse país não tem tamanho”.
O especialista defende três medidas para conter a crise no STF: o presidente do STF, Edson Fachin, assumir a relatoria desses processos de investigação, dar curso aos processos de investigação levantados pela Polícia Federal e garantir a transparência e publicidade do que for apurado e julgado.
Para o professor e cientista político Alvaro Azevedo Neto, este caso vem à tona em um momento delicado do nosso processo democrático. “Uma crise dessa magnitude passa a sequestrar o espaço daquilo que normalmente deveria estar no centro de uma campanha eleitoral: economia, emprego, segurança pública, saúde, educação e as propostas dos candidatos.
A eleição passou a ser uma espécie de julgamento político das próprias instituições”, avaliou. Segundo ele, mais do que o teor dos crimes que estão sendo investigados, é grave a dimensão do envolvimento de autoridades.
“Não estamos em crise apenas pelo conteúdo das revelações relacionadas ao Banco Master, mas porque a crise passou a envolver relações entre agentes privados e autoridades públicas e, mais grave ainda, produziu um conflito dentro do próprio Supremo”, apontou.
O caso do Banco Master deixou de ser simplesmente um caso envolvendo uma investigação de banco. À medida que aparecem documentos, mensagens, contratos e relações com autoridades de diferentes espaços da República, o problema gahou uma dimensão institucional”, completou Alvaro.
Por Juliano Muta
Foto – Divulgação



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