BRASÍLIA TEIMOSA ABRIGA PROJETO INTERNACIONAL DE ERRADICAÇÃO DAS ARBOVIROSES

Foto: Rômulo Chico/Esp. DP

A aplicação da técnica do projeto de controle do mosquito Aedes Aegypti, através do uso de insetos estéreis, foi apresentada na manhã desta quinta-feira (15), à Agência Internacional de Energia Atômica, que desenvolveu o método.

O encontro aconteceu no Bairro de Brasília Teimosa, na Zona Sul. O programa, já em testes por aqui, tem o objetivo de erradicar doenças como dengue, zika vírus e chikungunya.

O método consiste na liberação de grandes quantidades de insetos inférteis – geralmente os machos- impedindo a procriação de novos mosquitos após o cruzamento com as fêmeas. O macho é escolhido também por não se alimentar de sangue humano. Os insetos podem ser liberados com uso de drones.

“Três países estavam no estágio mais avançado no uso de insetos estéreis: Brasil, México e Cuba. O México suspendeu as atividades com a técnica, Cuba concluiu o experimento e o Brasil, deu sequência à liberação dos insetos estéreis”.

“Foi um desafio muito grande, porque Brasília Teimosa e o Brasil vivem uma situação muito delicada do ponto de vista de proliferação dessas doenças causadas pelos Aedes aegypti, – as arboviroses. Durante a pandemia continuamos o monitoramento dessas doenças”, afirmou o diretor-presidente da Moscamed, Jair Virgínio.

De acordo com Jair Virgínio, 500 mil mosquitos são liberados duas vezes por semana, durante o período diurno. O projeto foi implantado em outubro do ano passado e a fase inicial tem duração de dois anos.

“Começamos a liberação desses insetos em outubro do ano passado. Quinhentos mil mosquitos são liberados duas vezes por semana, no período da manhã. Conseguimos uma redução de 60%, na taxa de desenvolvimento dos óvulos, ou seja, a proliferação não aconteceu”.

“Nos dias em que os insetos são liberados a comunidade é avisada e é solicitado a suspensão do uso de inseticidas neste dia, para que não mate os insetos estéreis”, explicou. 

Reconhecida por sua eficiência na erradicação e controle de diversos insetos e pragas ao redor do mundo, a Técnica do Inseto Estéril (TIE) é pioneira para controle do Aedes Aegypti. Para Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, as expectativas de um resultado positivo do projeto são importantes para os estudos na América Latina.  

“Aqui temos um projeto que dá certo. É muito importante ter um programa desses na América Latina, porque é diferente de importar um modelo da Europa ou dos Estados Unidos. Para nós é muito melhor apoiar um projeto local”. Estamos demonstrando o que podemos fazer. Não são necessários muitos recursos, essa é a beleza dessa tecnologia.

“Não precisamos de orçamentos ambiciosos. Aqui já temos dados interessantes que, com continuidade, chegaremos a uma erradicação completa. No Senegal conseguimos fazer com que a população ficasse completamente livre dessas doenças”. 

Para Cássio Peterka, coordenador do Programa Nacional de Arboviroses do Ministério da Saúde, o projeto é importante para desenvolver estratégias de combate às arboviroses.  “A solução para as arboviroses não está só na saúde. O saneamento é fundamental, o abastecimento de água contínuo, para que as pessoas não precisem armazenar”.

“Estamos trabalhando para que as tecnologias venham complementar as ações e para que nós consigamos diminuir o uso de inseticidas químicos. Esse projeto é muito importante porque as realidades do Brasil são muito distintas. Então não vai ser uma única estratégia que nós vamos conseguir aplicar em todo o Brasil, mas a ideia é trabalhar com várias tecnologias”, declarou. 

Fonte: DP

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